domingo, 30 de maio de 2010

Hipocrisia comensal,


vocês vão ver, vão todos pra casa
vocês vão ver, toque de recolher

nós somos ferramentas de deus, carinhosos, bonitos e bondosos
mas somos, por dentro ateus, controlados pelos poderosos

não existem homens maus, não existe nenhum ladrão
é tudo ilusão, está tudo normal, isso é intriga da oposição
não tem corrupção, o brasil é saudável igual a toda nação

todo mundo é feliz, ninguém sente mais dor
todos tem escola, saúde e amor
eu nunca mais vi, gente com fome
e pelos sinais, eu só vejo sorrisos

estamos todos livres, será sempre assim
se você não é livre, então trabalhe pra mim

me venda sua alma, seu corpo e sua motivação
me deixa te mostrar que tudo compra o seu perdão
e que tudo nessa vida pode ser adquirido
família, respeito, mulher, amigo
e que nada disso, é melhor que se deixar ludibriar
sexo, drogas, poker, bilhar
e que nada tem sentido, é só aceitar a verdade
criacionismo, determinismo, teoria da relatividade

não, ninguém mente mais
todos somos perfeitos
todos somos iguais
não, ninguém quer te enganar
o que os outros querem, é apenas faturar
não, não há problemas em fim
só há flores, em todos os jardins
não, você não está doente
é tudo conseqüência
do seu pensamento impertinente

domingo, 23 de maio de 2010

Provisão Reflexiva,


o mundo abre as portas pra você, um mundo mesquinho e cruel
o mundo cai no seus defeitos e você, perde o chão e junto o céu
o mundo quer que todos sejam iguais, não seja como os demais
quem é igual não vive e não respira, não pensa e não cria

é difícil lutar quando se perde a coragem
e a dor é mais visível
Mas difícil mesmo é viver sempre a margem
e enxergar o mundo com um coração sensível

são os ciclos do nosso mundo, pra eles igualdade de mais nunca é o bastante
absurdo é não viver feliz, por viver num mundo de caretas irritantes
pois somos loucos, sem dinheiro ou dignidade
e não fazemos parte dessa humanidade
de ladrões e assassinos, concentrados e trabalhando
nós vamos nos perdendo, na razão de ser humano
não consigo mais ver tanta banalidade, não consigo ver a verdade

o mundo mudou e perdemos a luta, não temos pra onde fugir
somos os poucos que ainda ouvem, os únicos que querem ouvir
não seremos mais perfeitos, não como todos são
seremos nos mesmo, mesmo perdendo a razão
somos castigados por bem querer viver
não me conte o que sabes, mas o que irá fazer
para começar a se encontrar, sem precisar se perder

pois não desista, resista
e mesmo que pareça impossível, insista
e não deixe de lutar, mas acima de tudo
não deixe de pensar, pois é só pensando que se pode mudar, mudar alguém ou o mundo

domingo, 16 de maio de 2010

Dádiva visionária,


renascer, parece uma vitória, mas será que valeu a pena
viver de novo, em um mundo injusto, cheio de problema
e pensar que talvez enquanto não estive aqui
realmente tive paz, e talvez tenha sido feliz
talvez feliz até de mais
que não quis me lembrar, pois sabia que não encontraria
essa felicidade além da vida, nem vivendo mais um dia

as vezes vi algo, que não quero acreditar
e essa paz que encontrei, mas porque voltar?
e porque voltei, havia realmente a necessidade?
se estava a tão poucos passos da eternidade
a hora da morte, me pareceu uma amnésia
de todos os meus medos, e todas as dores
de todos os problemas, de todos os horrores
apenas sonhei, e flutuei por algum tempo
mas mesmo assim, não perdi a esperança
ainda tinha uma boa lembrança
das minhas idéias, e da minha razão
e descobri que só perdi o coração
e o que importa vai além disso
e não lamento ter morrido
e nem lamento ter acordado
lamento ter esquecido
como é do outro lado

e eu amaldiçoei meu destino por tentar me levar
mas deveria ter agradecido a chance de presenciar
algo que ninguém poderá saber ou imaginar
a sensação de partir e flutuar
e depois voltar aqui para poder contar.

domingo, 9 de maio de 2010

Conjuro desumano,


não vou me entregar, não importa a oferta
regras, dinheiro, mulheres, minha missão é concreta
não vou deixar me levar, não importa a promessa
poder, castelos, amor, eu não entro nessa

há certas coisas de valor imensurável
dignas de quem se contrapõem mesmo contra a dor incessável
e a incontáveis regras de seu mundo choramingão
que te faz rastejar no lixo, te impedindo de ir na contra-mão

mas eu não estou revoltado, e de longe lisonjeado
apenas ignoro impecílios, de um pesadelo controlado
porque esquecer de viver e fingir gostar
de uma pobre vida, com nada bom pra se recordar
é assunto das almas, dos fracos e perdidos
que se implodem mortalmente no prazer dos sentidos
mostrando-se preenchidos pelo vácuo da penúria
cercados pelo prazer, deslumbrante da luxúria
que consome a carne pobre de seus corações
congelados na porfia de breves ilusões
em um palco sangrento, que eu vim de longe observar
dores de um mundinho insano, que não me deixa ajudar
e me oferece a imortalidade, das sensações e perigos
na morte lenta e agonizante, devoradora de sentidos

até que eu ressurja, mas cínico e imoral
fazendo a própria vida, parecer normal
ditando as regras, e fazendo ofertas
de sangue, dor, amor e festas
eu não serei ouvido, antes do fim da comemoração
e todo meu esforço, terá sido em vão
e enfim os legisladores, irão se arrepender
de deixarem meu lar, inutilmente perecer
no descuido de primatas descuidados e molestadores
senhores dos castelos, amores e horrores

domingo, 2 de maio de 2010

Lúcida recordação,


lembro-me do século, onde morriam por amar
amavam pra morrer, e viviam a cantar
recitavam palavras de um coração sensível
escreviam suas dores para um publico invisível

agora fazemos da guerra e ódio, motivos de conquistas
nos dias de hoje, onde reinam os capitalistas
nas canções a dor não é mais de amor,
nos corações os luxos são dádivas do horror
temos um pudor verídico na palma das mãos
esquecemos que no princípio, erramos todos irmãos
calmaria nos leva, a pensar nos problemas
fatos de horror, não apenas nos dilemas
como era feito antes, pra escolher quem amar
sem pensar no amanhã, na possível chance de errar
pois errar é do amor, da vida e da morte
quem não era não da valor, ao bem, a vida e a sorte
que no fundo não passa de uma chuva
que bate gostoso, como um cacho de uva
que no passado foi motivo de paixão e poesia
e agora é sede de dinheiro da burguesia

lembro-me do século, onde morriam por amar
e amavam pra morrer, e viviam a cantar
recitavam palavras de um coração sensível
escreviam suas dores para um publico invisível

andas bem, por andares sozinho
ande pelo bem, mas será sozinho
pois no mundo só existe, respeito e amizade
e no fundo a mentira, só perde pra verdade
e o fraco é só diferente, e no fundo é normal
o fraco é você, quando vê o próprio mal

Concílio de gratidão,


minha vida é escrever, tudo que eu tive, tudo que não tive e tudo que queria ter
e é bom saber que eu só sou feliz, graças a isso
meus amigos, meu futuro, meus vícios
e é solitário, escrever sobre isso tudo, praticamente sozinho
acompanhado de um cigarro, uma cerveja e um copo de vinho
que pra falar a verdade, eu só tomei uma dose
antes de decair, no mal comido, fruto de uma overdose
que só de lembrar, penso em repetir
as varias vezes que cai, e aprendi
que pra ser feliz, é preciso conquistar
um fruto raro, de uma semente mal plantada
em um mundo que está sempre a te vigiar
em que as verdades já são frias e desbotadas
e eu insisto em repetir, que amor é coisa de momento
como a arvore que cresce torta, e aprende com o vento
que a melhor direção, é a improvável
e a felicidade, é inevitável
como a dor que nunca vem, mas está sempre por perto
fazendo todo e qualquer planejamento ser incerto
e por mais que eu saiba, que vou sobreviver à falsas previsões
o futuro é lúcido, e me prende as velhas decisões
que eu fiz por impulso para saciar meus desejos
nunca antes turvos, nunca antes presos
e o sofrimento do processo, pode ser ignorado
enquanto escrevo, falso, bêbado e inspirado.