sexta-feira, 25 de junho de 2010

Última Lástima,


eu poderia ser como você, apertar todas as mãos
sem me preocupar com os sentimentos
eu poderia ser como vocês, mentir sobre o amor
traindo meu próprio coração.

Eu poderia negar a importância de fazer a coisa certa
mas eu ainda acredito na esperança
e por mais que seja insano viver importando-se com tudo
eu acredito na minha felicidade

pois mesmo sendo impossível fazer tudo certo
eu pretendo seguir em frente
e em cada pequeno ato, em cada pensamento
sempre que eu puder, eu pensarei melhor
são os tempos da verdade, o mundo ficará justo agora
eu nunca esquecerei do conforto da paciência.

Eu poderia ser como vocês
tirar a esperança dos inocentes
o conforto dos ineptos
e pedir a glória de cada palavra

mas eu sonho com um lugar além
e desejo que todos sonhem comigo
só o perdão e a sinceridade
destroem os medos e preocupações.

Eu poderia buscar o caminho mais fácil
saciando toda minha ambição
mas alguma coisa dentro de mim
quer me levar acima das estrelas
acho que só assim, esquecerei tudo que eu já ouvi
sobre guerra, traição, falsidade e mentira.

Eu poderia ignorar os problemas alheios
e todas as mazelas do meu planeta
mas eu me sinto bem com meus irmãos
admirando o mundo novo.

Eu poderia julgar os pobres de coração
e rir dos desesperados
mas eu nunca achei conforto na destruição
a diferença entre opostos é mínima
e é sempre mais difícil entender suas razões
quando se superestima o próprio orgulho
a ira, nunca irá curar suas preocupações.

eu poderia escolher viver pela ilusão
e deformar a realidade ao meu desejo
mas é melhor, respeitar minha intuição
e ignorar todo mal que querem me vender
procurar em mim e em outros poucos
boas razões, novos sonhos, bons corações
e pra variar, fazer o certo
dar até um bom exemplo
afinal, só depende de mim.

domingo, 20 de junho de 2010

Torpor rudimentar,


em uma história onde nada tem jeito
é tudo imperfeito
você está sempre sobre o efeito
você pensa direito, mas age errado
é sempre inesperado
nada é calculado
fica todo mundo machucado
assistindo um final acabado
de um mal amado
mundo sagrado
furtado, magoado, enjoado, impensado...

A única regra é não morrer
o resto vale tudo
matar, roubar, se entregar
até mentir sobre o amor
que é o pior dos pecados
nada vale a pena
tudo já foi vendido
esta tudo armado
esqueça de pensar
você está em oferta
para que toda essa pressa
seu destino já foi escolhido
morra, viva, se arrependa
você só tem problemas
e está perdido
e no fundo sozinho
só que nunca percebeu
você é o retrato
da vida que escolheu
miserável condição
essa insistente ausência
demência, carência, inocência...

domingo, 13 de junho de 2010

Peçonha diluída,


o veneno é que as pessoas pensam que terão o dia de amanhã pra viver
o ambiente determina isso, vivem para o mundo
certos disso, inventaram o futebol...

Inventamos a ordem, o certo, o errado
qual a diferença entre assar e comer
e assar, comer, assar, comer, assar, comer?

Essa é a piada sem graça da vida
como aquela bola que bate na trave
o cartão que cai da mão do juiz...
tudo escorre por sua mão
como quem é esquecido pela morte.

As prioridades foram invertidas
ninguém é totalmente feliz aqui
esse é o mal da terra, sempre estão insatisfeitos
nunca prontos pra partir, sempre há um porém
a vida é uma platéia que aplaude um público em pranto
beba seu veneno, sinta-se pequeno
vá de terno, durma pouco...

Aproveite bem a ilusão das multidões
enquanto acompanha a infinita busca pelo segredo de viver
promova seus meios e seus fins
até lembrar de pensar e acordar para a realidade
o senso comum é só mais uma censura.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Retrato do inimaginável,


eu grito, em meio a multidão
até que tudo some, e as respostas se vão
para tudo que descobri e acredito, sei que há um além
talvez o tempo sacrificado com as dúvidas
talvez a falta de ingenuidade na infância
o que me da o direito de ver o mundo assim?
como é fazer parte dele?
e se eu não estivesse aqui?

aspiro a conseqüências de um mal criado por mim
e de todas as lembranças que padecem, insolentes, incrédulas
o meu instinto de curiosidade, que me leva a burlar aspectos da natureza
nós somos incompreensíveis, incalculáveis, intangíveis, irracionais
dentro de toda normalidade do mundo humano, as respostas se fazem pequenas
são rudes e pouco determináveis, não despertam a minha atenção.

O tempo e os empecilhos da descoberta
tudo que lhe já foi tirado, e que já foi esquecido
será que dói lembrar disso tudo?
será que a memória, as lembranças, são o segredo da felicidade?
e a inércia do esquecimento, é uma força ativa, construtiva...
será que todos as regalias da juventude, são esquecidas na posterioridade?
e será que dói mais, não saber a resposta do que esquecer a pergunta?

tudo é confiável, toda essa gente que passa por aqui
todos com suas camisas de força, esquecidos
quanto ja foi destruído? quando ja foi sacrificado?
pela paz, pelo amor, por Deus, tudo em nome do horror.

E como será que aceitamos tudo isso?
essa interpretação esdrúxula, infiel
todo aquele que guarda contigo uma lembrança ruim
representamos a era da demência
a ruína moral, a ruína do mundo
aceitaremos os presentes, e o infortúnio da lembrança
vamos fazer uma festa, sem rima, sem ídolos
vamos comemorar, com a sensatez de uma criança
sem limites, até esquecer de tudo mais uma vez.
Até não estar em lugar nenhum...
Provando a dor, do lembrar ou do esquecer.