segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De firmamentos desequilibrados,


você esta alimentando o seu eu errado e desesperado
não encarando a realidade demonstrada pela falta de prioridades no seu dia a dia
e a sua alegria é uma eterna orgia misturada com uma hipocrisia fatal
em busca de um novo eu, muito longe do seu eu real
de um cara normal, que se apega com facilidade
a qualquer mistura que te traga parcialmente uma realidade
desproporcional, melancolicamente categórica
que misturada a uma rebeldia eufórica
não sabe distinguir a dose de felicidade nos seus piores momentos
e hoje qual será, será oito ou oitocentos?
até quando você esquecerá a dor da vitória
a melancolia tardia de viver uma história
no espectro da confusão de um pretexto sem razão
e pretexto pra que? se o importante é viver
como o povo que não vive e não acredita no que ele não pode fazer
misturando absurdo com poesia, com a grande maestria de um histórico corrompido
inundando com dinheiro, quem não tem a alegria de ajudar um amigo
e quer fazer carinho, na cabeça da criança
corrompendo um futuro, que já carece de esperança
mal, nosso mal, todo o mal, é só uma desculpa fria
e não é demagogia, ou apenas pura rebeldia
é um contexto escrito por cada ser vivo
do mais passivo ao mais nocivo
o problema é sentir dor de mais e faltar vontade
o problema é não sentir nada que diz respeito a realidade
e ter saudade, do que não pode ser conquistado
querer sempre amar menos do que é amado
e fazer do egoísmo uma cláusula sentimental
que faz qualquer outra alegria, parecer menos real

domingo, 21 de novembro de 2010

Da inóspita dignidade,


a que fuga rude me forças a seguir
a uma causa nobre não hei de ceder
nem a essa idéia estridente que está a surgir
cruel e ingrata que me obriga a escrever

tantas inspirações hei de citar, pisando nas pedras de um rio
de águas criticas a me afogar, mesmo em um fluxo de apenas um fio
mentiras deixarei escapar para que pensem que não há esperança
recriando com vozes de um povo singular, na época em que a honra me deixa lembrança

não sou posto como herege, pois calo-te com maestria
comum de um povo que se põem a chorar, banhado pela própria heresia

choram por ver, lamentam por não enxergar
são ditados a seguir ao fundo sem hesitar
fazendo fronte a um monstro governante
formam a hydra humana, a torpe retumbante

nas correntes brandas, e em pedras furiosas
que reinam suas glórias tantas, com quedas formosas,
nas margens plácidas de um rio surdo
tomado as pressas de um povo mudo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Da providência duvidosa,


Seja lá o que Deus quiser? repense suas considerações finais
nada é simples, e a coerência é praticamente impossível
e quando você se pegar perguntando pelo porque, lembre-se:
da providência duvidosa,

e quando não for indescritível? ai todos ficamos arrependidos
ou de termos ido longe de mais ou de termos partido
as vezes pra longe, as vezes em mil pedaços
alguns rabiscos e alguns traços
que não descrevem o que querermos...

Estou perdido em passos que normalmente não teria dado
mas hoje embriagado, eu supero o meu bem querer
tanto eu quis tudo, que quase tudo eu não pude ter
essa é minha diversão, nada acima disso
sem pudor, sem remédio, sem compromisso
se hoje me liberto, amanhã quero um outro vício
compreendido na futilidade de uma dádiva distante
mas hoje presente, desperta e emocionante.

Ah meus pretextos! Combinam tanto com meus desejos
de fugir de tudo e de nunca ter sido notado
e abraçar meu antigo medo de estar sendo ludibriado
em mais um momento sagrado, que logo esquecerei
como o dia em que eu esqueci de dizer obrigado
a uma doce vida, que me fez herói, fantasma e rei.

E o por que? bom, o porque não tem limites...

sábado, 6 de novembro de 2010

Da musicalidade brasileira,


primeiro o samba, e tudo mudou,
houve um milagre, e tudo melhorou
surgiu a bossa, em Ipanema
e o país, esqueceu seu problema

mais tempo passou, tudo tão igual
até alguém gritou, tá tudo tão anormal
e o general - leva todo mundo cana
e junto com eles a tal tropicana
chama pro palco, que eles honram a farda
falam de amor, são a jovem guarda

e logo depois, ninguém aguentou
surgiu o protesto, mais nada mudou
ficou no rock, mais ninguém refletiu
a alternativa, de mudança que surgiu

estavam preocupados, em procurar empregos
esqueceram dos impostos pagos, por brancos e negros
que perderam os direitos, e rumaram aos becos
pro alto das favelas, no rio de janeiro
e fizeram o funk, retrato do povo brasileiro
de pátria e mãe gentil, com valores deturpados
com corruptos mais de mil, e sujeira em todos os lados
como dito nos rocks antigos, muitos deles censurados

e poucos entenderam, o final da jornada
depois de tanta musica, não temos nada
nem pátria, nem sonhos, estamos acomodados
não temos protesto, pra descarregar nosso fardos
nem temos farda de guerra, nem bandeira de paz
isso desde o samba, até os dias atuais

e então nos perguntamos, a musica mudou
mais o que adianta se sociedade estagnou?
o amor acabou, mas nos achamos livres
para correr e andar, dentro dos limites
que a mídia nos dá, perdemos a coragem
e paramos de pensar, criamos muito pouco
para quem realmente precisa mudar
precisamos acordar, acordar...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos limites inalcançáveis,


meu único medo é não ter medo de nada
e descobrir que estou fazendo o certo, na medida errada
pois modelo nenhum, é suficientemente ideal
haja visto que a perfeição, é algo surreal
é uma linha, um círculo, sem individualidade
é algo desprezível, diante de qualquer diversidade
não tem detalhe, acabamento, é sempre proporcional
posteriormente definido no parâmetro do mundo normal

qualquer obra da criação transcende a perfeição
e dizer que ela é perfeita, é pura heresia
cada ser traz consigo uma individual utopia
que lhe da luz de algo complexamente errado
complexo aos grandes, errado aos frustrados
que não reconhece, a beleza do imprevisível
e querem limitar algo indefinível

se tudo fosse igual, não existiria coragem ou amor
e certamente a perfeição teria grande valor
faria seu papel, sem questionar a multidão
mas nunca mudaria, e seu valor seria em vão

inevitavelmente, tudo isso é invisível
é como um sonho, crescente e irreprimível
e qualquer um com uma vida perfeita, pode chorar agora
você é só mais um careta, com medo do mundo lá fora

o perfeito é limitado, obcessivamente corrompido
facilmente notado, facilmente medido
não progride, agride a evolução
é só mais uma desculpa de quem despreza o coração