domingo, 9 de maio de 2010

Conjuro desumano,


não vou me entregar, não importa a oferta
regras, dinheiro, mulheres, minha missão é concreta
não vou deixar me levar, não importa a promessa
poder, castelos, amor, eu não entro nessa

há certas coisas de valor imensurável
dignas de quem se contrapõem mesmo contra a dor incessável
e a incontáveis regras de seu mundo choramingão
que te faz rastejar no lixo, te impedindo de ir na contra-mão

mas eu não estou revoltado, e de longe lisonjeado
apenas ignoro impecílios, de um pesadelo controlado
porque esquecer de viver e fingir gostar
de uma pobre vida, com nada bom pra se recordar
é assunto das almas, dos fracos e perdidos
que se implodem mortalmente no prazer dos sentidos
mostrando-se preenchidos pelo vácuo da penúria
cercados pelo prazer, deslumbrante da luxúria
que consome a carne pobre de seus corações
congelados na porfia de breves ilusões
em um palco sangrento, que eu vim de longe observar
dores de um mundinho insano, que não me deixa ajudar
e me oferece a imortalidade, das sensações e perigos
na morte lenta e agonizante, devoradora de sentidos

até que eu ressurja, mas cínico e imoral
fazendo a própria vida, parecer normal
ditando as regras, e fazendo ofertas
de sangue, dor, amor e festas
eu não serei ouvido, antes do fim da comemoração
e todo meu esforço, terá sido em vão
e enfim os legisladores, irão se arrepender
de deixarem meu lar, inutilmente perecer
no descuido de primatas descuidados e molestadores
senhores dos castelos, amores e horrores

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