terça-feira, 26 de outubro de 2010

Do que está perdido,


as pessoas tentam estabelecer razões grandiosas
causas espetaculares e motivos milagrosos
para tudo que acontece com elas

assim, sentem-se mais importantes e se acomodam
excluindo a responsabilidades das ações
e geralmente, vendo-se como superiores ao mundo
e a qualquer determinação

mas como praticamente nada tem sentido
continuam incompreendidos
buscando qualquer premio de consolação
qualquer resposta sem razão
para a própria falta de virtudes

em meio a tais existências infortunadas
perdidas e despreparadas,
implorando por milagres infundados
por privilégios insensatos
para melhorar suas vidas vazias
regidas pelo contrato
de não pensar, não agir e não fazer o mal
mas julgar com escassez de argumentos
tudo que pareça anormal

seu milagre contrasta sua estupidez
viva com porfia dentro de suas regras
limite sua evolução
espere que o mundo lhe dê uma ascensão

glorifique a colheita sem plantio
e a dádiva sem merecimento
espere por noites e séculos
que um dia, terás seu grande lamento

sábado, 16 de outubro de 2010

Da valorosa inspiração,


viver é como escrever uma peça e atuar ao mesmo tempo
você tranqüilamente poderia fazer o papel de coadjuvante
mas nunca encontraria alguém para fazer o papel principal

ninguém terá aquela grande sacada que você teve um dia
indo atrás de toda essa monotonia, de ser o que és
aprende-se a compor vidas paralelas
buscando uma melhora conjunta para tantas seqüelas

do tempo perdido nos fins de semana
das horas dormidas a menos fora da cama
e da melancolia de se perguntar do futuro
e do futuro além do que se pode escrever
que hoje, já não remete mais a você
e que amanhã certamente estará perdido

viver é como voltar do trabalho estando focado no amanhã
mesmo concluindo todos os sonhos, terás de voltar ao divã
pois os problemas transcendem as realizações
as fingidas conquistas imemoráveis, que ninguém veio comemorar
dormir talvez seja uma boa maneira de se resumir
e viver talvez seja uma pequena razão para existir

cantemos juntos uma canção de partida
em homenagem a toda a nossa vida
e a todas as razões da humanidade
certas, erradas, incompletas,
mas todas longe da pura verdade

sábado, 9 de outubro de 2010

Da incompreendida realidade,


nós só somos grandes perante aos nossos olhos
e pensar que não, não mudará essa realidade
apesar da única e real importância, ser a individualidade

como ser grande perante ao complexo jogo de viver
onde apenas as crianças sabem o que escolher
escolhendo exatamente o que é imprevisível

quanto mais se cresce, mais se é incompreendido
quanto mais se escolhe, mais se fica sozinho
e a dor de ser grande por dentro e por fora
é talvez algo que ninguém jamais tenha sentido

tornar-se complexo remete ao fanatismo
e tornar-se mudo reflete incompreensão
o poder age cegamente sobre o realismo
tornando mudo quem transborda emoção
que não enxerga o pormenor da simplicidade
que repousa inevitavelmente sobre toda complexidade
de ser grande, simples e saudável
perante tanta ideologia frágil
que ofusca, descarta e elege
um ideal eternamente breve
de ser humano limitado e complexo
enquanto pequeno, medroso e disperso
na grandiosidade que o ego transpira em bruma
da engenhosidade individual de ser coisa nenhuma

troque sua máscara, essa falsidade já está ultrapassada
todos já interpretam seus papeis irrelevantes
enquanto insistem em viver de maneira equivocada
sendo toscos, pálidos, estúpidos e irritantes
não queira ser a verdade, ou maquie sua estupidez
pois estúpido é aquele, que não é ele, todo e de uma só vez

sábado, 2 de outubro de 2010

Falha ambígua,


a depressão é o mal do século
contudo, é também a solução
alternando de maníaco à depressivo
vou ludibriando meu juízo
lhes proporcionando diversão

a razão é filha do lamento
e o aprendizado descendente da dor
que se faz presente em todo sentimento
irmão descrente do amor

que se cala em tempos confusos
e soluça profunda depressão
confundindo-se entre débeis e astutos
perdidos no calor da multidão

sentindo-se depressivo, faz-se do mundo um caos
e alternando a maníaco, faz-se do caos um mundo
qualquer absurdo se torna entorpecente
nenhum instinto é fiel o suficiente
tratando de retratar com exatidão
o lado mais infame de cada emoção.

Onde está a luz que eu sempre quis ver?
E o que é essa sombra que eu insisto em manter?