segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Talvez o próximo,


a vida é como uma semana de carnaval
você faz tudo que nunca achou que iria fazer
e mesmo assim, continua com muita vontade

se perdendo na falsidade de fantasias
bucolicamente remendadas
se distraindo com as meninas, todas disfarçadas
de donzelas comportadas
ou de mulheres de verdade

se escondendo na impulsividade da multidão
seguindo, cantando, esperando
e torcendo para nunca acabar
para nunca cessar essa grande ilusão

nada se prende a definições concretas
a agitação é a única alegria
festejar por noites, dormir de dia
e esquecer quantas vezes isso se repete
mesmo vivendo totalmente pelo passado
esperando o próximo carnaval
a próxima vida, alguma esperança

as mágoas passam, as conquistas se vão
e mesmo assim, não se sabe qual é melhor máscara
foi tudo um truque muito bem elaborado
assim a noite acaba, e nada foi explicado
pouco foi entendido, a vida é uma grande piada
recheada de cerveja, carnaval, futebol e mulherada

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sempre soubemos,


abra seus olhos e veja para onde você vai
por que você se esqueceu do que é importante?
aonde estão seus objetivos?
o que você construiu?

por que esse temor ao fundamentar o que já está definido?
será que é tão difícil fazer algo de bom
a vida é uma troca de amor e nada dura pra sempre
será que toda nossa vaidade vai nos impedir de ser feliz?

por que tantos erros, tantas fraquezas?
distorcemos a luz para confundir nossos sentidos
e ficar com esse sofrimento necessário
com esses problemas que não nos fazem crescer

nem sabemos pra onde crescer
o que queremos ser
ou como queremos viver

onde está a liberdade que todos sonham?
onde estão os seus sonhos?
quantos dos seus são de verdade?

vamos nos esconder para todo o sempre
e não aceitemos mais qualquer visita
da boa nova, da luz da manhã
vamos correr de toda dificuldade
e nunca saber de nada

vamos esquecer as histórias de amor
e a beleza de olhar nos olhos
idolatrar nossos ídolos de mármore
e padecer sem ter esculpido algo de bom
sem conhecer pessoas de verdade
sem nos conhecermos profundamente

domingo, 12 de setembro de 2010

Perspectiva maculada,


eu mal consigo esperar pra assistir ao começo do fim
o que acontecerá conosco, o que serão de vocês e o que será de mim
seus sonhos desacreditados, imaculados, perdidos
seus desejos reprimidos, seus olhos aflitos

é sempre a mesma promessa de paz
sempre a busca por algo a mais
algo que infelizmente não existe

uma promessa sempre feita, que trouxe dor
morte, medo, tristeza, sangue e terror
você nasceu para isso, sem rumo, sem teto, sem compromisso
e ao longo dos anos, se fez passivo, incrédulo, omisso

é o retrato fiel de todas as nossas segundas intenções
quando pensamos em fazer algo altruísta,
é todo esse nosso egoísmo, latente, presente
que nunca desgruda, nos limitando sempre ao mesmo ponto de vista
devorando a paz, engolindo a paciência e todas as outras desculpas
que sempre temos prontas, inofensivas, reclusas, precisas

nada pode te acordar agora
o pesadelo foi fundamentado
há poucas horas atrás, talvez você pudesse ter mudado
mas seguiu como sempre, fugindo de si mesmo
fugindo de tudo que não entende, e rotulando a seu preço
os sentimentos, os conselhos, as amizades

e felizmente, todos vamos sozinhos e assim nós viemos
levaremos apenas nossas culpas, nossos conhecimentos
nossa perspectiva sempre foi de um grande paraíso
que nunca nos pareceu um lar, foi sempre mais um lugar
estranho, complexo, inalcançável
como tudo que rotulamos errado, feio, lamentável
esse é nosso retrato fiel, toda mentira, nosso mal
somos dignos da modesta desculpa, de sobreviver ao mundo real

a verdade nunca foi mais mentira
os séculos levaram nossa rebeldia
enquanto perdemos nossa coragem
cortaram a luz, o jogo acabou.

sábado, 4 de setembro de 2010

Comtemplação abstrata,


hoje eu me impressionei com razões que nunca viverei
dei valor à luz que a muito me ilumina
que é dotada de uma alegria que nunca percebi
encoberto pelos prazeres que eu sempre idolatrei
esqueci de sentir novas formas de se viver
e mesmo não querendo por dentro eu sorri

mesmo quando tudo parece perfeito e singular
ainda há muito a se contemplar
a beleza é imortal e o conhecimento ilimitado
e viver vai muito além de estar acordado

em meio a todas essa máquinas a contemplação é limitada
e a penúria da infindável corrida, só me leva à chegada
mesmo algo sem fim pode ser conquistado
sem fim é a luz de novos dias a serem contemplados
pois cada dia é único e especial
mas perceber isso é dádiva anormal
nem as cores no jardins e a beleza do luar
nada nesse mundo é completamente igual
cada dia traz um sentido novo para se contemplar

até os banhos de chuva nunca são do mesmo jeito
nem essa insistente chama que arde no peito
dias não foram feitos para lamentos
nem pra infidelidade do dia-a-dia
que corre e nos leva os bons momentos
que só traz dor, esquecimento e melancolia

primitivo senso comum de se adaptar e se esquecer
nocivo a mentes fracas que nunca sabem o que fazer
o que sentir e como se libertar
de toda a paranóia que é viver, ser feliz e amar