quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Da absoluta inferioridade,


a pouco tempo atrás, aconteceu algo ruim, a alguém muito importante
não era meu amigo, nem meu conhecido, nem mesmo era desse planeta
ele veio de um lugar muito distante, pra ensinar e aprender
chegando aqui na Terra, viu que tudo era diferente
e que ninguém o entendia
mas mesmo assim, ele tentou transmitir aos humanos ideais
trazidos do povo mais sábio do universo
que não entendiam, porque os humanos são tão perversos
e não apreciam, a beleza do mundo que lhes foi provido

chegando aqui, ele quis entender
o porque de tanta guerra, tanta fome, tanta tristeza
como podem viver no meio do caos
se a natureza, é harmônica e perfeita
porque não tomam esse exemplo para suas vidas?

chegando aqui, ele quis entender
porque não amavam a terra, e não percebiam sua vulnerabilidade
porque escondiam com o medo, a mais profunda verdade
porque rezavam, para si mesmo, e nunca eram atendidos
e como pediam ajudam, se ignoravam o semelhante ferido

chegando aqui, ele pediu paz
descobriu o amor, as lágrimas e a emoção
com o tempo, passou a amar esse mundo novo
e ficou entre nós, inventando um coração

mas sua tristeza só foi aumentando
e uma perseguição foi montada
acharam um novo problema, era o invasor
que não tinha coração, nem sentimentos
estranhas antenas, e cor esquisita

e mais uma vez, ele pediu paz
e fez um discurso para milhões
fazendo todos entenderem sua posição
e foi aplaudido

mas pouco tempo depois, muitos o acusaram novamente:
como alguém de tão longe, pode opinar sobre nossas vidas
e foi acusado traidor, por amar a terra, e seus habitantes
e novamente foi levado a julgamento

dessa vez ele não quis falar
ele estava tão feliz por ter criado a paz
que deixou ser levado
ele foi condenado e executado
até que anos depois, foi finalmente julgado
culpado do próprio pecado
ter amado, e entendido
um planeta pequeno escondido
onde a vida, não se entende
e o culpado não se prende
e há ciclos de guerra
como ciclos ganancia
esse é o nosso presente
visto por um ser diferente
que tinha uma mensagem:

-Cuidem do seu Oásis.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Do determinismo humano,


o futuro é imprevisível, poucas vezes o errado da certo
e geralmente o improvável é regra
não há um seguro de vida que impeça o sofrimento
nem formas seguras de esquecimento
miseravelmente, estamos fadados ao sentimento
outra precariedade determinada pelo momento

não importa o tamanho da felicidade atual
sempre há o risco do futuro ser diferente
não importa se você é acima do normal
tudo se torna melancolicamente deprimente
a vida é uma sucessão de desventuras em série

um dia, os sorrisos serão apagados
não haverá ninguém lhe esperando
todo seu sarcasmo será comprado
e vão te culpar de tudo

a culpa é do mundo, é do certo, do errado, da ingenuidade
a culpa é do homem, do sentimento, da imaturidade

interpretamos a inércia como nosso grande papel
buscamos desculpas no mundo, certamente infiel
idolatramos as culpas, os medos e os pecados
guardamos nossa raiva, nossa dor
nos tornamos descrentes, fracos, obcecados

a incerteza da vida se completa com o mistério da morte
que transforma em passado até o presente mais forte
os tempos bons se foram, os tempos bons sempre se vão
é tudo melancolia, saudade, chuva de verão.

A inesitência é real...
A incoerência normal...
A incompetência casual...
A felicidade banal...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Da interpretação previsível,


Sim, eu confesso, eu realmente não presto
e se expresso um pouco disso é só pra te destrair
mas se isso não te fizer pensar, pelo menos te fará rir
intão ria...

Eu sou apenas mais um exagerado, que profere idéias em vão
e quem não pode pensar, por favor, role de rir no chão
Se não te trago reflexão, te trago felicidade
a minha piada só tem duas façes
e a cara lavada da minha mentira coroa qualquer verdade

viva seu cotidiano idolatrando seus limites
julgue minhas palavras como meros palpites
e se eu pedir para que me conte alguma história
esqueça que seus dias são iguais
invente que você ja ficou parado na chuva
e que se limitar à existir não é nada de mais

jamais interprete, contente-se com uma piada
com uma ilusão que não se assemelha à realiadade
coroada por metáforas que no fundo não dizem nada
são caminhos absurdos que escondem a verdade

e eu não dou a mínima... :)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Das pequenas mudanças,


Minha casa na árvore está sendo bombardeada
todas as minhas musicas sendo censuradas
todos os meus livros confiscados
e tudo que eu penso é leviano.

O mundo mudou...
As sinfonias não me trazem Ludwig ou Wolfgang
Bob Marley é só um negro com uma apologia
e a paz é só uma forma de fazer justiça

ouvir Guns não me leva mais a Holliwood Roses
Jim Morrison descobriu a heroína na banheira
assim como Hendrix, Janis e Brian Jones
e para fazer rock é só ser alcoólatra

Jack Johnson só me lembra a morte do Irons
e o Kelly é só mais um recordista
o oceano é só algo que vai aumentar com o degelo
e a liberdade não está mais dentro de nós

Allen Ginsberg é só mais um pervertido
e Rochester é só mais uma cidade, esquecida do Conde
agora Tolkien é só mera infantilidade
e os Capuletos só rivais dos Montecchios

Cazuza é só mais um filho de burguês
Cartola algo que se punha na cabeça
boemia e poesia só ofícios de malandro
e a morte é mais grandiosa que o amor

Chaplin e só mais um iludido
tal como Voltaire um simples comediante
Dawkins só mais um inimigo do misticismo
já Byron caracterizado como psicopata

amor, paz, liberdade, tudo virou clichê
e a Ilha Paraíso ficou cada vez mais distante
ficar careca virou sinônimo de responsabilidade
e ser jovem é ter cuidado...

Cuidado para não se perder na praia.
Cuidado para não se instruir de mais.
Cuidado para não se lembrar de nenhuma dessas pessoas.
Cuidado para não agregar nenhuma ideologia.
Cuidado para não amar.
Cuidado para não se entregar.
Cuidado para não morrer.
Cuidado para não sonhar.
Cuidado...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De firmamentos desequilibrados,


você esta alimentando o seu eu errado e desesperado
não encarando a realidade demonstrada pela falta de prioridades no seu dia a dia
e a sua alegria é uma eterna orgia misturada com uma hipocrisia fatal
em busca de um novo eu, muito longe do seu eu real
de um cara normal, que se apega com facilidade
a qualquer mistura que te traga parcialmente uma realidade
desproporcional, melancolicamente categórica
que misturada a uma rebeldia eufórica
não sabe distinguir a dose de felicidade nos seus piores momentos
e hoje qual será, será oito ou oitocentos?
até quando você esquecerá a dor da vitória
a melancolia tardia de viver uma história
no espectro da confusão de um pretexto sem razão
e pretexto pra que? se o importante é viver
como o povo que não vive e não acredita no que ele não pode fazer
misturando absurdo com poesia, com a grande maestria de um histórico corrompido
inundando com dinheiro, quem não tem a alegria de ajudar um amigo
e quer fazer carinho, na cabeça da criança
corrompendo um futuro, que já carece de esperança
mal, nosso mal, todo o mal, é só uma desculpa fria
e não é demagogia, ou apenas pura rebeldia
é um contexto escrito por cada ser vivo
do mais passivo ao mais nocivo
o problema é sentir dor de mais e faltar vontade
o problema é não sentir nada que diz respeito a realidade
e ter saudade, do que não pode ser conquistado
querer sempre amar menos do que é amado
e fazer do egoísmo uma cláusula sentimental
que faz qualquer outra alegria, parecer menos real

domingo, 21 de novembro de 2010

Da inóspita dignidade,


a que fuga rude me forças a seguir
a uma causa nobre não hei de ceder
nem a essa idéia estridente que está a surgir
cruel e ingrata que me obriga a escrever

tantas inspirações hei de citar, pisando nas pedras de um rio
de águas criticas a me afogar, mesmo em um fluxo de apenas um fio
mentiras deixarei escapar para que pensem que não há esperança
recriando com vozes de um povo singular, na época em que a honra me deixa lembrança

não sou posto como herege, pois calo-te com maestria
comum de um povo que se põem a chorar, banhado pela própria heresia

choram por ver, lamentam por não enxergar
são ditados a seguir ao fundo sem hesitar
fazendo fronte a um monstro governante
formam a hydra humana, a torpe retumbante

nas correntes brandas, e em pedras furiosas
que reinam suas glórias tantas, com quedas formosas,
nas margens plácidas de um rio surdo
tomado as pressas de um povo mudo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Da providência duvidosa,


Seja lá o que Deus quiser? repense suas considerações finais
nada é simples, e a coerência é praticamente impossível
e quando você se pegar perguntando pelo porque, lembre-se:
da providência duvidosa,

e quando não for indescritível? ai todos ficamos arrependidos
ou de termos ido longe de mais ou de termos partido
as vezes pra longe, as vezes em mil pedaços
alguns rabiscos e alguns traços
que não descrevem o que querermos...

Estou perdido em passos que normalmente não teria dado
mas hoje embriagado, eu supero o meu bem querer
tanto eu quis tudo, que quase tudo eu não pude ter
essa é minha diversão, nada acima disso
sem pudor, sem remédio, sem compromisso
se hoje me liberto, amanhã quero um outro vício
compreendido na futilidade de uma dádiva distante
mas hoje presente, desperta e emocionante.

Ah meus pretextos! Combinam tanto com meus desejos
de fugir de tudo e de nunca ter sido notado
e abraçar meu antigo medo de estar sendo ludibriado
em mais um momento sagrado, que logo esquecerei
como o dia em que eu esqueci de dizer obrigado
a uma doce vida, que me fez herói, fantasma e rei.

E o por que? bom, o porque não tem limites...

sábado, 6 de novembro de 2010

Da musicalidade brasileira,


primeiro o samba, e tudo mudou,
houve um milagre, e tudo melhorou
surgiu a bossa, em Ipanema
e o país, esqueceu seu problema

mais tempo passou, tudo tão igual
até alguém gritou, tá tudo tão anormal
e o general - leva todo mundo cana
e junto com eles a tal tropicana
chama pro palco, que eles honram a farda
falam de amor, são a jovem guarda

e logo depois, ninguém aguentou
surgiu o protesto, mais nada mudou
ficou no rock, mais ninguém refletiu
a alternativa, de mudança que surgiu

estavam preocupados, em procurar empregos
esqueceram dos impostos pagos, por brancos e negros
que perderam os direitos, e rumaram aos becos
pro alto das favelas, no rio de janeiro
e fizeram o funk, retrato do povo brasileiro
de pátria e mãe gentil, com valores deturpados
com corruptos mais de mil, e sujeira em todos os lados
como dito nos rocks antigos, muitos deles censurados

e poucos entenderam, o final da jornada
depois de tanta musica, não temos nada
nem pátria, nem sonhos, estamos acomodados
não temos protesto, pra descarregar nosso fardos
nem temos farda de guerra, nem bandeira de paz
isso desde o samba, até os dias atuais

e então nos perguntamos, a musica mudou
mais o que adianta se sociedade estagnou?
o amor acabou, mas nos achamos livres
para correr e andar, dentro dos limites
que a mídia nos dá, perdemos a coragem
e paramos de pensar, criamos muito pouco
para quem realmente precisa mudar
precisamos acordar, acordar...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos limites inalcançáveis,


meu único medo é não ter medo de nada
e descobrir que estou fazendo o certo, na medida errada
pois modelo nenhum, é suficientemente ideal
haja visto que a perfeição, é algo surreal
é uma linha, um círculo, sem individualidade
é algo desprezível, diante de qualquer diversidade
não tem detalhe, acabamento, é sempre proporcional
posteriormente definido no parâmetro do mundo normal

qualquer obra da criação transcende a perfeição
e dizer que ela é perfeita, é pura heresia
cada ser traz consigo uma individual utopia
que lhe da luz de algo complexamente errado
complexo aos grandes, errado aos frustrados
que não reconhece, a beleza do imprevisível
e querem limitar algo indefinível

se tudo fosse igual, não existiria coragem ou amor
e certamente a perfeição teria grande valor
faria seu papel, sem questionar a multidão
mas nunca mudaria, e seu valor seria em vão

inevitavelmente, tudo isso é invisível
é como um sonho, crescente e irreprimível
e qualquer um com uma vida perfeita, pode chorar agora
você é só mais um careta, com medo do mundo lá fora

o perfeito é limitado, obcessivamente corrompido
facilmente notado, facilmente medido
não progride, agride a evolução
é só mais uma desculpa de quem despreza o coração

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Do que está perdido,


as pessoas tentam estabelecer razões grandiosas
causas espetaculares e motivos milagrosos
para tudo que acontece com elas

assim, sentem-se mais importantes e se acomodam
excluindo a responsabilidades das ações
e geralmente, vendo-se como superiores ao mundo
e a qualquer determinação

mas como praticamente nada tem sentido
continuam incompreendidos
buscando qualquer premio de consolação
qualquer resposta sem razão
para a própria falta de virtudes

em meio a tais existências infortunadas
perdidas e despreparadas,
implorando por milagres infundados
por privilégios insensatos
para melhorar suas vidas vazias
regidas pelo contrato
de não pensar, não agir e não fazer o mal
mas julgar com escassez de argumentos
tudo que pareça anormal

seu milagre contrasta sua estupidez
viva com porfia dentro de suas regras
limite sua evolução
espere que o mundo lhe dê uma ascensão

glorifique a colheita sem plantio
e a dádiva sem merecimento
espere por noites e séculos
que um dia, terás seu grande lamento

sábado, 16 de outubro de 2010

Da valorosa inspiração,


viver é como escrever uma peça e atuar ao mesmo tempo
você tranqüilamente poderia fazer o papel de coadjuvante
mas nunca encontraria alguém para fazer o papel principal

ninguém terá aquela grande sacada que você teve um dia
indo atrás de toda essa monotonia, de ser o que és
aprende-se a compor vidas paralelas
buscando uma melhora conjunta para tantas seqüelas

do tempo perdido nos fins de semana
das horas dormidas a menos fora da cama
e da melancolia de se perguntar do futuro
e do futuro além do que se pode escrever
que hoje, já não remete mais a você
e que amanhã certamente estará perdido

viver é como voltar do trabalho estando focado no amanhã
mesmo concluindo todos os sonhos, terás de voltar ao divã
pois os problemas transcendem as realizações
as fingidas conquistas imemoráveis, que ninguém veio comemorar
dormir talvez seja uma boa maneira de se resumir
e viver talvez seja uma pequena razão para existir

cantemos juntos uma canção de partida
em homenagem a toda a nossa vida
e a todas as razões da humanidade
certas, erradas, incompletas,
mas todas longe da pura verdade

sábado, 9 de outubro de 2010

Da incompreendida realidade,


nós só somos grandes perante aos nossos olhos
e pensar que não, não mudará essa realidade
apesar da única e real importância, ser a individualidade

como ser grande perante ao complexo jogo de viver
onde apenas as crianças sabem o que escolher
escolhendo exatamente o que é imprevisível

quanto mais se cresce, mais se é incompreendido
quanto mais se escolhe, mais se fica sozinho
e a dor de ser grande por dentro e por fora
é talvez algo que ninguém jamais tenha sentido

tornar-se complexo remete ao fanatismo
e tornar-se mudo reflete incompreensão
o poder age cegamente sobre o realismo
tornando mudo quem transborda emoção
que não enxerga o pormenor da simplicidade
que repousa inevitavelmente sobre toda complexidade
de ser grande, simples e saudável
perante tanta ideologia frágil
que ofusca, descarta e elege
um ideal eternamente breve
de ser humano limitado e complexo
enquanto pequeno, medroso e disperso
na grandiosidade que o ego transpira em bruma
da engenhosidade individual de ser coisa nenhuma

troque sua máscara, essa falsidade já está ultrapassada
todos já interpretam seus papeis irrelevantes
enquanto insistem em viver de maneira equivocada
sendo toscos, pálidos, estúpidos e irritantes
não queira ser a verdade, ou maquie sua estupidez
pois estúpido é aquele, que não é ele, todo e de uma só vez

sábado, 2 de outubro de 2010

Falha ambígua,


a depressão é o mal do século
contudo, é também a solução
alternando de maníaco à depressivo
vou ludibriando meu juízo
lhes proporcionando diversão

a razão é filha do lamento
e o aprendizado descendente da dor
que se faz presente em todo sentimento
irmão descrente do amor

que se cala em tempos confusos
e soluça profunda depressão
confundindo-se entre débeis e astutos
perdidos no calor da multidão

sentindo-se depressivo, faz-se do mundo um caos
e alternando a maníaco, faz-se do caos um mundo
qualquer absurdo se torna entorpecente
nenhum instinto é fiel o suficiente
tratando de retratar com exatidão
o lado mais infame de cada emoção.

Onde está a luz que eu sempre quis ver?
E o que é essa sombra que eu insisto em manter?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Talvez o próximo,


a vida é como uma semana de carnaval
você faz tudo que nunca achou que iria fazer
e mesmo assim, continua com muita vontade

se perdendo na falsidade de fantasias
bucolicamente remendadas
se distraindo com as meninas, todas disfarçadas
de donzelas comportadas
ou de mulheres de verdade

se escondendo na impulsividade da multidão
seguindo, cantando, esperando
e torcendo para nunca acabar
para nunca cessar essa grande ilusão

nada se prende a definições concretas
a agitação é a única alegria
festejar por noites, dormir de dia
e esquecer quantas vezes isso se repete
mesmo vivendo totalmente pelo passado
esperando o próximo carnaval
a próxima vida, alguma esperança

as mágoas passam, as conquistas se vão
e mesmo assim, não se sabe qual é melhor máscara
foi tudo um truque muito bem elaborado
assim a noite acaba, e nada foi explicado
pouco foi entendido, a vida é uma grande piada
recheada de cerveja, carnaval, futebol e mulherada

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sempre soubemos,


abra seus olhos e veja para onde você vai
por que você se esqueceu do que é importante?
aonde estão seus objetivos?
o que você construiu?

por que esse temor ao fundamentar o que já está definido?
será que é tão difícil fazer algo de bom
a vida é uma troca de amor e nada dura pra sempre
será que toda nossa vaidade vai nos impedir de ser feliz?

por que tantos erros, tantas fraquezas?
distorcemos a luz para confundir nossos sentidos
e ficar com esse sofrimento necessário
com esses problemas que não nos fazem crescer

nem sabemos pra onde crescer
o que queremos ser
ou como queremos viver

onde está a liberdade que todos sonham?
onde estão os seus sonhos?
quantos dos seus são de verdade?

vamos nos esconder para todo o sempre
e não aceitemos mais qualquer visita
da boa nova, da luz da manhã
vamos correr de toda dificuldade
e nunca saber de nada

vamos esquecer as histórias de amor
e a beleza de olhar nos olhos
idolatrar nossos ídolos de mármore
e padecer sem ter esculpido algo de bom
sem conhecer pessoas de verdade
sem nos conhecermos profundamente

domingo, 12 de setembro de 2010

Perspectiva maculada,


eu mal consigo esperar pra assistir ao começo do fim
o que acontecerá conosco, o que serão de vocês e o que será de mim
seus sonhos desacreditados, imaculados, perdidos
seus desejos reprimidos, seus olhos aflitos

é sempre a mesma promessa de paz
sempre a busca por algo a mais
algo que infelizmente não existe

uma promessa sempre feita, que trouxe dor
morte, medo, tristeza, sangue e terror
você nasceu para isso, sem rumo, sem teto, sem compromisso
e ao longo dos anos, se fez passivo, incrédulo, omisso

é o retrato fiel de todas as nossas segundas intenções
quando pensamos em fazer algo altruísta,
é todo esse nosso egoísmo, latente, presente
que nunca desgruda, nos limitando sempre ao mesmo ponto de vista
devorando a paz, engolindo a paciência e todas as outras desculpas
que sempre temos prontas, inofensivas, reclusas, precisas

nada pode te acordar agora
o pesadelo foi fundamentado
há poucas horas atrás, talvez você pudesse ter mudado
mas seguiu como sempre, fugindo de si mesmo
fugindo de tudo que não entende, e rotulando a seu preço
os sentimentos, os conselhos, as amizades

e felizmente, todos vamos sozinhos e assim nós viemos
levaremos apenas nossas culpas, nossos conhecimentos
nossa perspectiva sempre foi de um grande paraíso
que nunca nos pareceu um lar, foi sempre mais um lugar
estranho, complexo, inalcançável
como tudo que rotulamos errado, feio, lamentável
esse é nosso retrato fiel, toda mentira, nosso mal
somos dignos da modesta desculpa, de sobreviver ao mundo real

a verdade nunca foi mais mentira
os séculos levaram nossa rebeldia
enquanto perdemos nossa coragem
cortaram a luz, o jogo acabou.

sábado, 4 de setembro de 2010

Comtemplação abstrata,


hoje eu me impressionei com razões que nunca viverei
dei valor à luz que a muito me ilumina
que é dotada de uma alegria que nunca percebi
encoberto pelos prazeres que eu sempre idolatrei
esqueci de sentir novas formas de se viver
e mesmo não querendo por dentro eu sorri

mesmo quando tudo parece perfeito e singular
ainda há muito a se contemplar
a beleza é imortal e o conhecimento ilimitado
e viver vai muito além de estar acordado

em meio a todas essa máquinas a contemplação é limitada
e a penúria da infindável corrida, só me leva à chegada
mesmo algo sem fim pode ser conquistado
sem fim é a luz de novos dias a serem contemplados
pois cada dia é único e especial
mas perceber isso é dádiva anormal
nem as cores no jardins e a beleza do luar
nada nesse mundo é completamente igual
cada dia traz um sentido novo para se contemplar

até os banhos de chuva nunca são do mesmo jeito
nem essa insistente chama que arde no peito
dias não foram feitos para lamentos
nem pra infidelidade do dia-a-dia
que corre e nos leva os bons momentos
que só traz dor, esquecimento e melancolia

primitivo senso comum de se adaptar e se esquecer
nocivo a mentes fracas que nunca sabem o que fazer
o que sentir e como se libertar
de toda a paranóia que é viver, ser feliz e amar

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Melancolia idealizada,


descobri as poucos, que caretas são os loucos
que tem medo de lutar, que tem medo de viver, que tem medo de amar
são covardes em todos os sentidos, não acreditam no próprio mundo, só veêm inimigos
mas não fazem sua parte, e nunca farão, são covardes por que não acreditam nem no próprio irmão
com medo de ter medo, apodrecem a sociedade, e não aceitam que há outros com vontade de lutar
mesmo querendo fugir da realidade, lutando de algum jeito
para não dar chance ao azar e nem ser direcionado pelo medo

porque será? Eu não entendo nossos pais, viveram com os grandes
e hoje são motivos de lamentos, será que todos os heróis morreram antes
e agora só os covardes caminham por aqui, será então que morrerei também, só porque vivi

se viver é pecado e morrer é maldição, eu não sei onde estou
pois insisto em perder a direção, e sinto tristeza por ter despertado
de um mortífero de um pesadelo, que apesar de tudo me mantinha animado
pois sei que viver só é fácil para quem se finge de surdo, cego e fraco

porque que tudo tem um lugar certo pra se colocar?
e as pessoas por mais que tentem não conseguem se encontrar
em um mundo que caminha a perdição, mas é mutável como eterna maldição
se no passado a mudança resultou no mundo de babacas
que agora ela desfaça as coisas passadas
e os tipos e delitos, e só haja amor
amor em todos os sentidos
amor além do amor.

domingo, 22 de agosto de 2010

Lembrança prematura,


eu te amo muito mais vou ter que lhe deixar,
meu país está em guerra, eu tenho que lutar
maldito foi o dia em que eu fui me alistar
agora sou soldado, sou pago pra matar
portanto não lamente, não há nada a se fazer
eu prometo retornar para lhe ver crescer

foi um dia cansativo, muito barulho e morte
na guerra não há lei, não justiça, não há sorte
o destino é incerto e a dor é insistente
na guerra não há futuro, não há saída, não há presente
eu nunca pensei nisso, mas agora posso explicar
não há nada nesse mundo como ver tudo se acabar
não resta amor em mais nenhum coração
diante desse caos nada têm explicação

deus é justo, ele nunca falha
a ele vou servir no campo de batalha
quem sabe eu não ganho o paraíso prometido
arrancando a esperança do peito de mais um desconhecido

aqui não há vencedores, não há premio nem perdão
mesmo que eu volte para casa, nunca esquecerei essa visão
de como é triste, toda essa realidade
da vida, da dor, do homem, e de toda a sua vaidade

tenho tudo prometido, finalmente estou em paz
ao lado de meus pecados, meu corpo imóvel jás
acompanhado de guerreiros que nunca conhecerei de verdade
fadados ao mesmo mal irremediável, não da morte mas da saudade
como eu que não verei o meu filho, que logo vai nascer
em nome de um Deus, de um país e de uma paz, que nunca vão florescer

domingo, 15 de agosto de 2010

Força imprevisível,


temos muitos problemas, muitas dores, muitas fraquezas
e alguns poucos momentos de alegria
mas apesar de tudo ainda temos esperança

o mundo existe para nós
ele não está repleto de vilões
tão pouco de super-heróis
talvez nem de Deuses

o mundo não foi feito pra eles
eles não tem a força pra prosseguir
nós não somos anjos, mas ainda sim podemos voar
e mesmo cheios de medo, somos especialistas em superação

vivemos de dor e ainda sim temos tempo pra sorrir
continuamos essa luta incessante pra ser feliz
mesmo com a possibilidade da morte, do fracasso
continuamos a caminhar, eternamente, incessantemente
mesmo que nada faça sentido

não temos super-poderes, e talvez nem genialidade
estamos limitados aos nossos preconceitos e temores
nós formamos uma indiscreta humanidade
que não conhece a face da mentira ou o poder da verdade

encontramos força em qualquer carinho, qualquer ilusão
colocamos nosso corpo atrás de qualquer diversão
relutamos em amar, e escolher sinceramente
não deixamos ninguém nós ensinar, a viver decentemente
e temos uma força incalculável para magoar

a maior qualidade do homem é ser imprevisível
se sua vontade se faz plena, nada é impossível
e nada no universo pode nos fazer desistir
temos essa vontade incessante de prosseguir
nem mesmo um Deus pode nós parar
temos loucura, teimosia e coração
temos coragem, poesia e paixão
sempre encontramos nosso caminho

caminhamos, mesmo contra a pior tempestade
nunca vamos desistir da buscar a felicidade
nada nos tira a vontade de sonhar
de viver, de persistir, de amar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Inópia implacável,


talvez eu não esteja aqui depois de um milhão de anos
mas talvez, alguém lembre das minhas idéias

certos momentos são inesquecíveis e inesperados
e por esses motivos ficamos tão calados
esses momentos essenciais são importantes de verdade
as vezes me esqueço do que fazer e então tenho uma saudade
de sentir o que é bom

eu não me preocupo em parecer especial
pois sei que nunca fui otário
de longe tudo é normal
e de perto nada é extraordinário

por enquanto é suficiente, mas até aonde eu posso ir
quebras as regras e os limites, sem pensar em desistir
e por mais que me digam, que não será possível
eu vou e faço o que ninguém consegue fazer
e por acaso consigo, saber o que é viver
podem me dizer que foi loucura
mas não podem me fazer parar
eu vou sempre buscar aventuras, aonde que que vá
e para me surpreender, só algo completamente normal
que ultrapasse minhas razões sem me tirar um grande final

domingo, 1 de agosto de 2010

Fixamente volátil,


fazer planos é bom, para pessoas feridas
que perdem o prazer do inesperado
não conseguem interpretar as curvas da vida
não conseguem ir além do calculado

aprender a enxergar a importância das coisas boas
vai muito além de ver o que se passa e não percebemos
é saber procurar bons valores nas pessoas
mas geralmente nem damos valor, as boas coisas que temos

não adianta idealizar um mundo imaginário
com pessoas gentis e altruístas
onde todos têm um abastado salário
e não tem feridas no coração

é inútil lembrar das coisas que não se fez
lamentando eternamente o que poderia ter sido
tudo que és agora não foi feito de uma vez
é tudo conseqüência do que já foi sentido

não existe ninguém que tenha a vida perfeita
o que seja perfeito por completo
todos temos algum desejo
ou até mesmo, um vício secreto

mas é bom lembrar,nada está perdido
é sendo assim que conseguimos compartilhar
nossos desejos, feridas, medos
sem receio de ser singular

o bom da vida é esquecer qualquer plano
já que erramos constantemente
vamos viver, exaltando o humano
impuro, cego, feliz, incoerente

assim sigo feliz, mesmo não alcançando a perfeição
talvez seja só um bom dia, com boas razões
talvez seja um delírio de uma imperfeita visão
ou o bom ar, que ainda reservo nos pulmões

e nada me faz sentir tão satisfeito, e sendo assim não preciso de mais nada
enquanto aproveito a vida que apesar de ter um fim, é louca, imprevisível e bem humorada.

domingo, 25 de julho de 2010

É necessário


que haja dia e que haja noite
que haja bem e mal
que haja alegria e dor
que haja indiferença e amor

que haja certo e que haja errado
que haja vida e morte
que haja diferença e igualdade
que haja fé e verdade

que haja luz e que haja trevas
que haja homem e mulher
que haja ciência e religião
que haja razão e emoção

que haja primeiro e que haja último
que haja doença e cura
que haja alma e corpo
que haja privação e fartura

que haja aluno e que haja professor
que haja pai e filho
que haja romance e tragédia
que haja comédia e terror

que haja caneta e que haja papel
que haja natureza e tecnologia
que haja evolução e extinção
que haja esforço e sabedoria

que haja erro e que haja aprendizado
que haja forte e fraco
que haja cérebro e coração
que haja realidade e ilusão

que haja entrada e que haja saída
que haja pensamento e ação
que haja sonho e pesadelo
que haja poesia e palavrão

que haja ódio e que haja carinho
que haja honesto e ladrão
que haja água e vinho
que haja bebê e ancião

que haja veneno e que haja cura
que haja inteligência e moral
que haja Banalidade e loucura
que haja começo e final

...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Contexto prodígio,


minha esperança foi sempre maior que a possibilidade
meu carinho sempre maior que a atenção
meu exagero sempre maior que os limites
e minha verdade sempre maior que a invenção

meus sonhos sempre maiores que a realidade
minha dúvida sempre maior que a razão
meu desejo sempre maior que a saudade
e minha fé sempre maior que a oração

nunca acreditei em frase feita
ou em letreiro de televisão
nunca acreditei em cura milagrosa
nem dei muito crédito a ilusão

sempre deixei de lado a previsão do tempo
nem gostava de dizer, onde iria ou estava
queria enfrentar a chuva, o mar e o vento
sem hora certa pra voltar pra casa

sempre fui mais confuso que o necessário
e mais despreocupado que a confusão
nunca dei as costas a um bom adversário
nem deixei para traz um irmão

eu quero me situar por um tempo
mas sem deixar tudo como está
gosto de estar sempre mudando por dentro
mas sem perder a mania de contestar

e quando a insegurança viver me visitar
é só chama-la pra sair comigo
respirar ar fresco, descobrir lugares novos
e então nunca serei assim, adulto de mais
para achar que só meus problemas existem
ou que só meus motivos são importantes

e mesmo que hoje eu não tenha nada
eu ainda estou aqui pronto pra conquistar o mundo
e mesmo que algumas vezes eu faça escolha errada
é só para que eu saiba que ninguém pode ter tudo.

sábado, 10 de julho de 2010

Da porfia interior,


a loucura é um veneno dissimulado, acoplado ao prazer
pois apesar de um louco poder se portar como homem
jamais um homem pode se portar como um louco

a cada vazio, cada confusão interna simplificada
perder-se-ão as falsas esperanças
apesar do homem poder suprir suas necessidades com ilusão
as necessidades de um louco, vão além da vossa compreensão
nada pode suprimir o vazio dentro de mim
nada pode conter a minha falta de sentimentos
mas só os loucos podem ver através da minha única máscara
contemplar minha oca carapaça e tremer
mas ninguém vai acreditar neles

eu fecho meu coração cada vez que engulo o seco das minhas mentiras
cada vez que paro e ignoro minhas melhores expectativas
e por mais um instante que eu deixo apodrecer minha face doentia
enquanto mascaro-a em toda minha dor, fazendo de poesia
devoro sem apreciar toda rebeldia dos meus desejos
é tudo sem sabor, fétido, envelhecido
nada preenche por completo, minha necessidade auto-destrutiva
nada me traz, um discreto redentor decomposto, farto de suas falas nocivas

satisfaça-me, contraponha-me, nada é suficiente
que caia a chuva, os raios e as pedras
preciso desafiar a moral, a ética e o amor
talvez acorde dentro de mim, alguma monstro interior
até arrepender-me de mostrar-me explícito
e tragar o mundo em meu último suspiro

vire a esquina, espere-me no limite da razão
encha meu cálice com todos os venenos mundanos
desperte minha loucura, torne-me humano
ou tornarei a descobrir os segredos profanos
que me conservam o exterior apesar do vazio infinito
ao desespero dado por cego, calmo e aflito.

domingo, 4 de julho de 2010

Contrato permissivo,


meu corpo dói, mas eu não tomo remédios
eu sou contra, eu não vejo os médicos
eu sei o que eles contam porque eu já fui diagnosticado
sou maluco, louco, doido, pronto pra ser internado

no ano da copa, me preocupo com eleição
não compro comida da civilização
nem tenho um escravo

eu não quero mais viver
se não for pra eleger
um modo novo de pensar
um melhor mundo pra viver

agora eu nem posso mais, viver por diversão
tão pouco por dinheiro, nem por satisfação

tem que ter objetivo, não quero vida nova
quero vida boa, qualquer coisinha à toa
que retrate meus desejos, meus sentimentos
os poucos, bons, e os maus momentos
se é que isso existe, porque tudo é transitório
do nascimento ao velório, do inferno ao purgatório
se é que eu terei a honra de ver como é
louco de verdade, não tem essa tal de fé
só se for em si mesmo, ou nos amigos do peito
ninguém pode me julgar, sou feliz do meu jeito
e não vou me vender, nem vou me alugar
nem ver as olimpíadas se tem conta pra pagar

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pranto explícito,


uns dizem que é a vida, outros dizem que é o acaso
uns creem em deus, outros acreditam no diabo
uns dizem que é sorte outros dizem que é azar
mas certas coisas nem eu tenho coragem de contestar

não foi nada divino, tão pouco maltrapilho
não foi nada profano, só foi um empecilho
por mais que eu confie na dor, na vida e na memória
hoje foi um dia que não merece fazer história
o sentimento atual, foi a falta de sentido
o desespero inesperado de um pranto corrompido
que talvez de alegria, salvando minha pretensão
de um presente de lamento, perdido por uma nação
que só precisava de uma conquista, para mostrar um sorriso
na salvação das derrotas para o povo do improviso
nós todos sofremos, da sarjeta a arquibancada
esperando um dia novo, uma nova alvorada
anunciando o futuro simples e vitorioso
que apesar de ser lúcido eu espero ansioso
e talvez por uma chance de um dia comemorar
o revés de um destino que hoje me fez chorar

e no segundo dia do mês de julho
eu temo em dizer, que talvez tenha orgulho
e saudade das conquistas que nunca quis comemorar
de um povo que tem gana, faz samba e sabe brilhar
mas que hoje foi vítima de uma grande fatalidade
que tirou de todos nós nossa maior felicidade

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Última Lástima,


eu poderia ser como você, apertar todas as mãos
sem me preocupar com os sentimentos
eu poderia ser como vocês, mentir sobre o amor
traindo meu próprio coração.

Eu poderia negar a importância de fazer a coisa certa
mas eu ainda acredito na esperança
e por mais que seja insano viver importando-se com tudo
eu acredito na minha felicidade

pois mesmo sendo impossível fazer tudo certo
eu pretendo seguir em frente
e em cada pequeno ato, em cada pensamento
sempre que eu puder, eu pensarei melhor
são os tempos da verdade, o mundo ficará justo agora
eu nunca esquecerei do conforto da paciência.

Eu poderia ser como vocês
tirar a esperança dos inocentes
o conforto dos ineptos
e pedir a glória de cada palavra

mas eu sonho com um lugar além
e desejo que todos sonhem comigo
só o perdão e a sinceridade
destroem os medos e preocupações.

Eu poderia buscar o caminho mais fácil
saciando toda minha ambição
mas alguma coisa dentro de mim
quer me levar acima das estrelas
acho que só assim, esquecerei tudo que eu já ouvi
sobre guerra, traição, falsidade e mentira.

Eu poderia ignorar os problemas alheios
e todas as mazelas do meu planeta
mas eu me sinto bem com meus irmãos
admirando o mundo novo.

Eu poderia julgar os pobres de coração
e rir dos desesperados
mas eu nunca achei conforto na destruição
a diferença entre opostos é mínima
e é sempre mais difícil entender suas razões
quando se superestima o próprio orgulho
a ira, nunca irá curar suas preocupações.

eu poderia escolher viver pela ilusão
e deformar a realidade ao meu desejo
mas é melhor, respeitar minha intuição
e ignorar todo mal que querem me vender
procurar em mim e em outros poucos
boas razões, novos sonhos, bons corações
e pra variar, fazer o certo
dar até um bom exemplo
afinal, só depende de mim.

domingo, 20 de junho de 2010

Torpor rudimentar,


em uma história onde nada tem jeito
é tudo imperfeito
você está sempre sobre o efeito
você pensa direito, mas age errado
é sempre inesperado
nada é calculado
fica todo mundo machucado
assistindo um final acabado
de um mal amado
mundo sagrado
furtado, magoado, enjoado, impensado...

A única regra é não morrer
o resto vale tudo
matar, roubar, se entregar
até mentir sobre o amor
que é o pior dos pecados
nada vale a pena
tudo já foi vendido
esta tudo armado
esqueça de pensar
você está em oferta
para que toda essa pressa
seu destino já foi escolhido
morra, viva, se arrependa
você só tem problemas
e está perdido
e no fundo sozinho
só que nunca percebeu
você é o retrato
da vida que escolheu
miserável condição
essa insistente ausência
demência, carência, inocência...

domingo, 13 de junho de 2010

Peçonha diluída,


o veneno é que as pessoas pensam que terão o dia de amanhã pra viver
o ambiente determina isso, vivem para o mundo
certos disso, inventaram o futebol...

Inventamos a ordem, o certo, o errado
qual a diferença entre assar e comer
e assar, comer, assar, comer, assar, comer?

Essa é a piada sem graça da vida
como aquela bola que bate na trave
o cartão que cai da mão do juiz...
tudo escorre por sua mão
como quem é esquecido pela morte.

As prioridades foram invertidas
ninguém é totalmente feliz aqui
esse é o mal da terra, sempre estão insatisfeitos
nunca prontos pra partir, sempre há um porém
a vida é uma platéia que aplaude um público em pranto
beba seu veneno, sinta-se pequeno
vá de terno, durma pouco...

Aproveite bem a ilusão das multidões
enquanto acompanha a infinita busca pelo segredo de viver
promova seus meios e seus fins
até lembrar de pensar e acordar para a realidade
o senso comum é só mais uma censura.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Retrato do inimaginável,


eu grito, em meio a multidão
até que tudo some, e as respostas se vão
para tudo que descobri e acredito, sei que há um além
talvez o tempo sacrificado com as dúvidas
talvez a falta de ingenuidade na infância
o que me da o direito de ver o mundo assim?
como é fazer parte dele?
e se eu não estivesse aqui?

aspiro a conseqüências de um mal criado por mim
e de todas as lembranças que padecem, insolentes, incrédulas
o meu instinto de curiosidade, que me leva a burlar aspectos da natureza
nós somos incompreensíveis, incalculáveis, intangíveis, irracionais
dentro de toda normalidade do mundo humano, as respostas se fazem pequenas
são rudes e pouco determináveis, não despertam a minha atenção.

O tempo e os empecilhos da descoberta
tudo que lhe já foi tirado, e que já foi esquecido
será que dói lembrar disso tudo?
será que a memória, as lembranças, são o segredo da felicidade?
e a inércia do esquecimento, é uma força ativa, construtiva...
será que todos as regalias da juventude, são esquecidas na posterioridade?
e será que dói mais, não saber a resposta do que esquecer a pergunta?

tudo é confiável, toda essa gente que passa por aqui
todos com suas camisas de força, esquecidos
quanto ja foi destruído? quando ja foi sacrificado?
pela paz, pelo amor, por Deus, tudo em nome do horror.

E como será que aceitamos tudo isso?
essa interpretação esdrúxula, infiel
todo aquele que guarda contigo uma lembrança ruim
representamos a era da demência
a ruína moral, a ruína do mundo
aceitaremos os presentes, e o infortúnio da lembrança
vamos fazer uma festa, sem rima, sem ídolos
vamos comemorar, com a sensatez de uma criança
sem limites, até esquecer de tudo mais uma vez.
Até não estar em lugar nenhum...
Provando a dor, do lembrar ou do esquecer.

domingo, 30 de maio de 2010

Hipocrisia comensal,


vocês vão ver, vão todos pra casa
vocês vão ver, toque de recolher

nós somos ferramentas de deus, carinhosos, bonitos e bondosos
mas somos, por dentro ateus, controlados pelos poderosos

não existem homens maus, não existe nenhum ladrão
é tudo ilusão, está tudo normal, isso é intriga da oposição
não tem corrupção, o brasil é saudável igual a toda nação

todo mundo é feliz, ninguém sente mais dor
todos tem escola, saúde e amor
eu nunca mais vi, gente com fome
e pelos sinais, eu só vejo sorrisos

estamos todos livres, será sempre assim
se você não é livre, então trabalhe pra mim

me venda sua alma, seu corpo e sua motivação
me deixa te mostrar que tudo compra o seu perdão
e que tudo nessa vida pode ser adquirido
família, respeito, mulher, amigo
e que nada disso, é melhor que se deixar ludibriar
sexo, drogas, poker, bilhar
e que nada tem sentido, é só aceitar a verdade
criacionismo, determinismo, teoria da relatividade

não, ninguém mente mais
todos somos perfeitos
todos somos iguais
não, ninguém quer te enganar
o que os outros querem, é apenas faturar
não, não há problemas em fim
só há flores, em todos os jardins
não, você não está doente
é tudo conseqüência
do seu pensamento impertinente

domingo, 23 de maio de 2010

Provisão Reflexiva,


o mundo abre as portas pra você, um mundo mesquinho e cruel
o mundo cai no seus defeitos e você, perde o chão e junto o céu
o mundo quer que todos sejam iguais, não seja como os demais
quem é igual não vive e não respira, não pensa e não cria

é difícil lutar quando se perde a coragem
e a dor é mais visível
Mas difícil mesmo é viver sempre a margem
e enxergar o mundo com um coração sensível

são os ciclos do nosso mundo, pra eles igualdade de mais nunca é o bastante
absurdo é não viver feliz, por viver num mundo de caretas irritantes
pois somos loucos, sem dinheiro ou dignidade
e não fazemos parte dessa humanidade
de ladrões e assassinos, concentrados e trabalhando
nós vamos nos perdendo, na razão de ser humano
não consigo mais ver tanta banalidade, não consigo ver a verdade

o mundo mudou e perdemos a luta, não temos pra onde fugir
somos os poucos que ainda ouvem, os únicos que querem ouvir
não seremos mais perfeitos, não como todos são
seremos nos mesmo, mesmo perdendo a razão
somos castigados por bem querer viver
não me conte o que sabes, mas o que irá fazer
para começar a se encontrar, sem precisar se perder

pois não desista, resista
e mesmo que pareça impossível, insista
e não deixe de lutar, mas acima de tudo
não deixe de pensar, pois é só pensando que se pode mudar, mudar alguém ou o mundo

domingo, 16 de maio de 2010

Dádiva visionária,


renascer, parece uma vitória, mas será que valeu a pena
viver de novo, em um mundo injusto, cheio de problema
e pensar que talvez enquanto não estive aqui
realmente tive paz, e talvez tenha sido feliz
talvez feliz até de mais
que não quis me lembrar, pois sabia que não encontraria
essa felicidade além da vida, nem vivendo mais um dia

as vezes vi algo, que não quero acreditar
e essa paz que encontrei, mas porque voltar?
e porque voltei, havia realmente a necessidade?
se estava a tão poucos passos da eternidade
a hora da morte, me pareceu uma amnésia
de todos os meus medos, e todas as dores
de todos os problemas, de todos os horrores
apenas sonhei, e flutuei por algum tempo
mas mesmo assim, não perdi a esperança
ainda tinha uma boa lembrança
das minhas idéias, e da minha razão
e descobri que só perdi o coração
e o que importa vai além disso
e não lamento ter morrido
e nem lamento ter acordado
lamento ter esquecido
como é do outro lado

e eu amaldiçoei meu destino por tentar me levar
mas deveria ter agradecido a chance de presenciar
algo que ninguém poderá saber ou imaginar
a sensação de partir e flutuar
e depois voltar aqui para poder contar.

domingo, 9 de maio de 2010

Conjuro desumano,


não vou me entregar, não importa a oferta
regras, dinheiro, mulheres, minha missão é concreta
não vou deixar me levar, não importa a promessa
poder, castelos, amor, eu não entro nessa

há certas coisas de valor imensurável
dignas de quem se contrapõem mesmo contra a dor incessável
e a incontáveis regras de seu mundo choramingão
que te faz rastejar no lixo, te impedindo de ir na contra-mão

mas eu não estou revoltado, e de longe lisonjeado
apenas ignoro impecílios, de um pesadelo controlado
porque esquecer de viver e fingir gostar
de uma pobre vida, com nada bom pra se recordar
é assunto das almas, dos fracos e perdidos
que se implodem mortalmente no prazer dos sentidos
mostrando-se preenchidos pelo vácuo da penúria
cercados pelo prazer, deslumbrante da luxúria
que consome a carne pobre de seus corações
congelados na porfia de breves ilusões
em um palco sangrento, que eu vim de longe observar
dores de um mundinho insano, que não me deixa ajudar
e me oferece a imortalidade, das sensações e perigos
na morte lenta e agonizante, devoradora de sentidos

até que eu ressurja, mas cínico e imoral
fazendo a própria vida, parecer normal
ditando as regras, e fazendo ofertas
de sangue, dor, amor e festas
eu não serei ouvido, antes do fim da comemoração
e todo meu esforço, terá sido em vão
e enfim os legisladores, irão se arrepender
de deixarem meu lar, inutilmente perecer
no descuido de primatas descuidados e molestadores
senhores dos castelos, amores e horrores

domingo, 2 de maio de 2010

Lúcida recordação,


lembro-me do século, onde morriam por amar
amavam pra morrer, e viviam a cantar
recitavam palavras de um coração sensível
escreviam suas dores para um publico invisível

agora fazemos da guerra e ódio, motivos de conquistas
nos dias de hoje, onde reinam os capitalistas
nas canções a dor não é mais de amor,
nos corações os luxos são dádivas do horror
temos um pudor verídico na palma das mãos
esquecemos que no princípio, erramos todos irmãos
calmaria nos leva, a pensar nos problemas
fatos de horror, não apenas nos dilemas
como era feito antes, pra escolher quem amar
sem pensar no amanhã, na possível chance de errar
pois errar é do amor, da vida e da morte
quem não era não da valor, ao bem, a vida e a sorte
que no fundo não passa de uma chuva
que bate gostoso, como um cacho de uva
que no passado foi motivo de paixão e poesia
e agora é sede de dinheiro da burguesia

lembro-me do século, onde morriam por amar
e amavam pra morrer, e viviam a cantar
recitavam palavras de um coração sensível
escreviam suas dores para um publico invisível

andas bem, por andares sozinho
ande pelo bem, mas será sozinho
pois no mundo só existe, respeito e amizade
e no fundo a mentira, só perde pra verdade
e o fraco é só diferente, e no fundo é normal
o fraco é você, quando vê o próprio mal

Concílio de gratidão,


minha vida é escrever, tudo que eu tive, tudo que não tive e tudo que queria ter
e é bom saber que eu só sou feliz, graças a isso
meus amigos, meu futuro, meus vícios
e é solitário, escrever sobre isso tudo, praticamente sozinho
acompanhado de um cigarro, uma cerveja e um copo de vinho
que pra falar a verdade, eu só tomei uma dose
antes de decair, no mal comido, fruto de uma overdose
que só de lembrar, penso em repetir
as varias vezes que cai, e aprendi
que pra ser feliz, é preciso conquistar
um fruto raro, de uma semente mal plantada
em um mundo que está sempre a te vigiar
em que as verdades já são frias e desbotadas
e eu insisto em repetir, que amor é coisa de momento
como a arvore que cresce torta, e aprende com o vento
que a melhor direção, é a improvável
e a felicidade, é inevitável
como a dor que nunca vem, mas está sempre por perto
fazendo todo e qualquer planejamento ser incerto
e por mais que eu saiba, que vou sobreviver à falsas previsões
o futuro é lúcido, e me prende as velhas decisões
que eu fiz por impulso para saciar meus desejos
nunca antes turvos, nunca antes presos
e o sofrimento do processo, pode ser ignorado
enquanto escrevo, falso, bêbado e inspirado.

domingo, 18 de abril de 2010

Elixir da perfeição,


eu tenho amigos boêmios, da mais nova geração
sem qualquer hipocrisia, sem falsa superstição
não cremos em bobagens, como pecado original
fazemos nossos pecados, de um jeito racional
cremos na bebida, no cigarro e violão
tiramos boas notas que garantem a diversão
estudamos a semana toda, pra no final se libertar
escrever músicas do mundo, que não nos deixa sonhar
prosperamos por nosso merecimento, e não morreremos cedo
nós vivemos o momento, fazendo sempre do nosso jeito
até que a cerveja se acabe, e sol venha brilhar
clareando nossas dúvidas, nos fazendo lembrar
que na segunda tem prova, e temos que estudar
quem dera fosse anatomia, nessa eu sei me superar
mas é de português, e a realidade está de volta
brindamos aos amigos, aqui não tem aposta
no jogo da vida, ninguém sabe ao certo
quem é malandro, e quem finge ser esperto
e ai tem muito trouxa, achando que é irmão
mas na minha turma não anda, nenhum vacilão
só vai quem tem espírito, e quem tem coração
que não precisa julgar, só quer dar a mão
temos opinião própria, e um forte idealismo
recuperamos a boemia, criando um novo romantismo
e não é de saudade ou amor, que vamos perecer
somos felizes, nos orgulhamos do nosso viver
que apesar de capitalista, não há nada a que se possa comprar
amaremos a vida boemia, sem deixar podridão se infiltrar
temos os valores, e o amor verdadeiro
somos bêbados e poetas, de coração condoreiro
mas com cabeça no lugar, ciente da realidade
mantemos a consciência, preservando a felicidade
e nada nesse mundo, pode ir contra a gente
nem a fúria do país, ou ordem do presidente
pois não somos alienados, somos apenas sonhadores
buscando nosso próprio paraíso, como nossos mentores
e nada pode abalar, a nossa grande amizade
toda sexta feira, nós balançamos a cidade
e na segunda acordamos, e agradecemos ao legado
dos românticos boêmios, que viveram no passado
e transmitiram sua ideologia, aprimorada no presente
seremos felizes juntos, vivendo eternamente
e na prosperidade, continuaremos brindando
agradecendo por ser um grande, pequeno ser humano

domingo, 11 de abril de 2010

Moderadamente incalculável,


tratando de problemas muito chatos
recitando e roubando do povo seus trapos
remediando o dia dia, a procura de companhia
culpando a moral, a vida, o tédio
busco num copo meu remédio
bebendo as noites, já passou
um pouco de pena, o problema não acabou
amor a vida é desculpa pra não lutar
amor a vida é viver, não é pensar
apenas vivendo assim, poderás comemorar
e sentir na pele, o que poucos podem imaginar

Viva mais que a vida
sempre viva.
Viva mais que a vida
não esqueça.
Viva mais que a vida
perca a cabeça.

e nos trapos, nos farrapos de um mundo covarde
vá com Deus, venha com Ele, mas não me aguarde
recitando a vida, acompanhado de alegria
tirado do pó, da luxúria, da orgia
mal dos vermes que cresceram da geração
que não se prende, não jura, pisa em sua mão

corrompida pelos males vagabundos e imprevisíveis
mal do mundo, mal de mulheres comestíveis
geração de puta e ladrão
geração de poeta sem amor
geração de culpa sem perdão
geração de alegria e de dor...
procuro na morte a minha vida
procuro na vida a minha dor
procuro na dor o meu amor
e no amor a minha morte
morrer para amar enfim
parar de lhe roubar, lhe trair, lhe invejar
os aspectos da vida mundana
recolhem me dos vícios, da ternura humana
que para partilhar essa vida, em pró do bem estar
esfaqueiam um mundo, que a muito esta à sangrar

domingo, 4 de abril de 2010

Absolutamente assim,


essa é minha vida, onde faço a realidade
e as pessoas que não acreditam, eu peço com humildade
tenham fé no seu ideal, e raça pra lutar
eu tenho o coração, que não sabia escutar

quem manda aqui sou eu, mas eu não sou ditador
deixo a vida seguir seus planos, mas cansei de ser ator
prefiro seguir com quem eu confio, com quem me ajuda
das rodas de violão, até a montanha tartaruga
querendo o melhor pra mim e pra quem tiver ao meu lado
não tem coisa melhor, que estar bem acompanhado
derrubando sempre seus limites, mostrando ser guerreiro
carregando o mundo ou seus amigos verdadeiros
que dão o máximo de si, se você precisar
e no final do dia, ainda tem forças pra gargalhar

esse é meu mundo, minha vida, meus amigos
aqui eu faço meus momentos, e não fico arrependido
nesse mundo onde vivo, o impossível não tem futuro
o impossível é coisa, que eu faço no escuro

e com muita batalha, eu aprendi a conquistar
me ensina o teu jogo, que eu vim pra ganhar
competir é futilidade, a parada é construir
construindo com amor, deixando a paz fluir
aprendendo com humildade, com quem quer seu bem
pois só com esses gigantes, você consegue ir além
e vai percebendo, que a vida não é difícil
que ontem foi bom, mas hoje será inesquecível

estou tão feliz, que nem sei explicar
só sei o segredo, de não deixar isso passar
como disse um grande amigo, que nem sempre tá junto
o que importa nessa vida, é união e conteúdo

e para superar as fraquezas, é preciso persistir
a cada passo dado, alguém pode cair
mas há uma força que supera qualquer artimanha
é a força interna, comum em quem me acompanha
pois apesar de perder as forças parecer normal
quem tá comigo sabe, desistir não é uma opcional

domingo, 28 de março de 2010

desdizendo por dizer,


vamos falar de um mundo, que já não é mais mundo
vamos falar de homens, que não são mais humanos
vamos falar de dor, e de quem sente no fundo
vamos falar dos sonhos, que não passaram de planos

não é real a juventude sem a grande força de sempre
perdemos nossos valores em nome do presente
e as crianças mudas não tem mais futuro
não são ensinadas a confiar no mundo
enquecem de Deus, não fazem mais prece
pedindo por um mundo, que já não merecem

vamos falar de flores, caídas nos jardim
vamos falar de valores, que foram esquecidos
de ensinamentos, que não são bem vindos

tenho pena de você, você não tem mais ninguém
em quem possa se espelhar, muito menos confiar
as vezes o valor está no ouro que tanto preza
mas também no amor, que não lhe interessa
ou no olhar que ja perdeu o seu brilho
que vê tudo como ilusão, e já não tem mais coração

vamos falar de tempos, que nunca existiram
pra enganar a esperança, que está surgindo
vamos falar do fim, e dizer que já se foi

domingo, 21 de março de 2010

Do simples amor,


O amor é a razão de se estar acordado
é trauma nos corações desajeitados
e gênese nos corações apaixonados

é o bem querer além de si mesmo
é uma forma sem razão, que transcende emoção e desejo
é simples pra quem sente e inexplicável pra quem sentiu
e sempre maior que o primeiro e o ultimo que partiu
e em mil pedaços ficará seu coração
e mil vezes mais, amará sem explicação
e mil vezes maior será sua coragem

amor já foi ternura, já foi sinceridade
amor não é estéril, é prosperidade
e como homem de coração apaixonado
ele evolui desgovernado
difícil de explicar, difícil de entender
difícil de controlar, impossível descrever
e mais ainda de ser encontrado

é a rosa negra, é o segredo de existir
é a surpresa, é o motivo de prosseguir
é o desabrochar do prazer, e de todos os segredos
é o fim da mortalha, e de todos os medos
e a fonte da juventude, e a poção da imortalidade
enquanto houver amor, existirá a humanidade
enquanto tiveres amor, viverás a eternidade
e não precisarás de mais nada.

com amor não há tristeza, nem pesadelo, nem maldade
o amor é maior que o tempo, que o dinheiro e que a saudade
o amor é o desfecho impossível de se fugir
é dor que da no peito, que te faz chorar enquanto ri.

sábado, 13 de março de 2010

Gelados prazeres,


o frio expande qualquer inspiração
congela qualquer sentimento sem emoção
causa uma dolorosa introspectividade
a todos que não sabem conviver com a verdade

acalma qualquer fúria incontrolável
deixa o coração dos homens mais instável
deixa as mulheres lindas e mais perfumadas
e as pessoas do mal dentro de suas casas
repele a dor da ferida mal curada
congela a flor, para que sempre seja lembrada
conforma a tristeza aprisionada no peito
ouve suas histórias, sem tirar proveito

o gelo preserva os sentimentos de bondade
tirando de tudo que é perfeito, sua data de validade
a gélida sensação de não ser pressionado
contra tudo aquilo que fica entalado
e toda calmaria de um deserto nevado
onde só haja a sensação do mal distanciado
e de toda energia que é sempre desperdiçada
para afastar o frio de uma mente renovada
enquanto se aproveita todo ar da madrugada
de uma noite no paraíso, por mais uma temporada

vossos olhos hão de se congelar
diante da beleza estonteante de presenciar
a noite no Éden de gelo eterno
localizado no outro lado do inferno
que nem caido, nem arcanjo podem penetrar
e não há limites para se entregar
onde não se prende a qualquer migalha
onde se trama a trama de sua própria mortalha
que de tão finita, chega a ser imortal
morto de mente pura, fugido do umbral

no gelo não há julgamento
nem tristeza na poesia
há frio na agua e no vento
mas no coração, não há agonia
é perfeito o castelo congelado
de onde todo mal foi arrancado

habitado por toda a eternidade
pela mente daqueles que amam a serenidade
do frio, em noite longa de tempestade
mais eterna que a própria humanidade
com felicidade que não se vai com a aurora
congelada por uma frieza que nunca vai embora
que é presente em um sentimento sem explicação
que aspira no mais profundo abismo de um coração
que não luta contra vertigem de se ver apaixonado
pela perfeita fantasia de gelo em que está aprisionado.

sábado, 6 de março de 2010

Miragens Reais,


confundo sonho com realidade
enquanto tento manter minha sobriedade
e é nesse momento singular
que eu consigo calcular
a fórmula da perfeição

sonhos podem parecer loucos
mas trazem conforto para mim
na vida os prazeres são poucos
e sempre tem um fim

por isso eu trato de esquecer do concreto
e passo a me focar, no meu próprio universo
por mais que a vida tenha sua parcela de maldade
eu sei que estou certo em esquecer a realidade
pois o problema todo, é a interpretação
que acaba transformando, herói em vilão
por isso eu fico na minha, buscando alcançar
um mundo melhor, onde eu possa me expressar
mostrando que a verdade, talvez seja ficção
e um sonho sim, pode abrigar a razão
a razão de uma vida, com muita instabilidade
mas apesar de tudo, regada de felicidade

por isso deixe-me curtir, a minha razão de viver
pois o meu dever de casa, saiba que eu vou fazer
e melhor do que muitos, que só sabem reclamar
da minha vida, do meu jeito, de interpretar
qualquer parada, qualquer problema
com a certeza, que vai terminar em um tema
pra colocar em cheque, toda a humanidade
provando que o que eu faço, vai para a eternidade
e se eu sou tranquilo, é graças a certeza
que julgar os outros, é sinal de fraqueza

e a minha realidade, ninguém vai julgar
não enquanto eu viver, não enquanto eu respirar
meu objetivo final, é ajudar e aprender
que a maior virtude, da vida é entender
que se sonhos você tem
não deves nada pra ninguém

e assim vai descobrir, quando estiver a deriva
que a realidade é uma ilusão alternativa
que só freia sua capacidade de seguir em frente
criando o seu mundo, como for conveniente
criando sua estrada, seu caminho, sua ponte
vendo além das paredes, que escondem o horizonte
sendo independente de qualquer sanidade
vivendo muito além de qualquer sociedade, verdade, mediocridade...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Da montanha tartaruga,


sempre sonhei em encontrar algum lugar onde eu pudesse me perder
por muito tempo, achei que sonhava de mais, e esse lugar só era imaginação
mas a vida me ensinou a enxergar melhor, parar e olhar ao redor
e descobrir que sempre teve um lugar bem perto daqui
onde eu possa pensar, e viver sem mentir

lá eu aprendi com metáforas infantis
que ninguém precisa me entender
lá eu finalmente vi, que a vida é complicada
mas também é vitória a ser conquistada
e a maioria das pessoas tem a mente morta
não entendem que na verdade, a vida é uma porta
mas só vão entender quando simplificar
a maior virtude da vida, que é encontrar
algum lugar perfeito, divino, abençoado
onde você tenha amigos, sempre do seu lado

lá eu percebi que a vida é confusa
que com o tempo tudo muda
e que as vezes até eu preciso de ajuda
ajuda do mundo, do casco da tartaruga
e que mesmo sem entender, a felicidade é constante
a paz que eles me trazem, vale mais que diamante
a riqueza que lá, não tem valor de nada
é algo abstrato que se leva pra casa
é algo que poucos conseguem ver o conteúdo
mas eu sempre fui mestre em encontrar no absurdo
alguma razão pra viver com pureza
o conteúdo dessa vida cheia de surpresa

o aprendizado é importante, mas a felicidade é mais
e pra alcançar a felicidade, é preciso muito gás
e se for descansar é só subir a minha montanha
onde nenhuma conquista, é façanha
e viver se torna simples
onde qualquer palavra se torna poesia
e qualquer pensamento vira teoria
onde a paz é eterna e só se vai adiante
onde se respeita o inseto, o homem e o gigante

o melhor lugar pra se estar, onde não se vê ignorância
e o único pecado, é viver com abundância
porque pra ser feliz, não é preciso ter
basta entender as verdades, que a vida mostra pra você
seja ela tartaruga, porta ou céu estrelado
mas se ninguém te entender, não fique espantado
é o preço que se paga, por encontrar um lugar divino
em um mundo onde todos, já se entregaram ao destino