domingo, 25 de julho de 2010

É necessário


que haja dia e que haja noite
que haja bem e mal
que haja alegria e dor
que haja indiferença e amor

que haja certo e que haja errado
que haja vida e morte
que haja diferença e igualdade
que haja fé e verdade

que haja luz e que haja trevas
que haja homem e mulher
que haja ciência e religião
que haja razão e emoção

que haja primeiro e que haja último
que haja doença e cura
que haja alma e corpo
que haja privação e fartura

que haja aluno e que haja professor
que haja pai e filho
que haja romance e tragédia
que haja comédia e terror

que haja caneta e que haja papel
que haja natureza e tecnologia
que haja evolução e extinção
que haja esforço e sabedoria

que haja erro e que haja aprendizado
que haja forte e fraco
que haja cérebro e coração
que haja realidade e ilusão

que haja entrada e que haja saída
que haja pensamento e ação
que haja sonho e pesadelo
que haja poesia e palavrão

que haja ódio e que haja carinho
que haja honesto e ladrão
que haja água e vinho
que haja bebê e ancião

que haja veneno e que haja cura
que haja inteligência e moral
que haja Banalidade e loucura
que haja começo e final

...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Contexto prodígio,


minha esperança foi sempre maior que a possibilidade
meu carinho sempre maior que a atenção
meu exagero sempre maior que os limites
e minha verdade sempre maior que a invenção

meus sonhos sempre maiores que a realidade
minha dúvida sempre maior que a razão
meu desejo sempre maior que a saudade
e minha fé sempre maior que a oração

nunca acreditei em frase feita
ou em letreiro de televisão
nunca acreditei em cura milagrosa
nem dei muito crédito a ilusão

sempre deixei de lado a previsão do tempo
nem gostava de dizer, onde iria ou estava
queria enfrentar a chuva, o mar e o vento
sem hora certa pra voltar pra casa

sempre fui mais confuso que o necessário
e mais despreocupado que a confusão
nunca dei as costas a um bom adversário
nem deixei para traz um irmão

eu quero me situar por um tempo
mas sem deixar tudo como está
gosto de estar sempre mudando por dentro
mas sem perder a mania de contestar

e quando a insegurança viver me visitar
é só chama-la pra sair comigo
respirar ar fresco, descobrir lugares novos
e então nunca serei assim, adulto de mais
para achar que só meus problemas existem
ou que só meus motivos são importantes

e mesmo que hoje eu não tenha nada
eu ainda estou aqui pronto pra conquistar o mundo
e mesmo que algumas vezes eu faça escolha errada
é só para que eu saiba que ninguém pode ter tudo.

sábado, 10 de julho de 2010

Da porfia interior,


a loucura é um veneno dissimulado, acoplado ao prazer
pois apesar de um louco poder se portar como homem
jamais um homem pode se portar como um louco

a cada vazio, cada confusão interna simplificada
perder-se-ão as falsas esperanças
apesar do homem poder suprir suas necessidades com ilusão
as necessidades de um louco, vão além da vossa compreensão
nada pode suprimir o vazio dentro de mim
nada pode conter a minha falta de sentimentos
mas só os loucos podem ver através da minha única máscara
contemplar minha oca carapaça e tremer
mas ninguém vai acreditar neles

eu fecho meu coração cada vez que engulo o seco das minhas mentiras
cada vez que paro e ignoro minhas melhores expectativas
e por mais um instante que eu deixo apodrecer minha face doentia
enquanto mascaro-a em toda minha dor, fazendo de poesia
devoro sem apreciar toda rebeldia dos meus desejos
é tudo sem sabor, fétido, envelhecido
nada preenche por completo, minha necessidade auto-destrutiva
nada me traz, um discreto redentor decomposto, farto de suas falas nocivas

satisfaça-me, contraponha-me, nada é suficiente
que caia a chuva, os raios e as pedras
preciso desafiar a moral, a ética e o amor
talvez acorde dentro de mim, alguma monstro interior
até arrepender-me de mostrar-me explícito
e tragar o mundo em meu último suspiro

vire a esquina, espere-me no limite da razão
encha meu cálice com todos os venenos mundanos
desperte minha loucura, torne-me humano
ou tornarei a descobrir os segredos profanos
que me conservam o exterior apesar do vazio infinito
ao desespero dado por cego, calmo e aflito.

domingo, 4 de julho de 2010

Contrato permissivo,


meu corpo dói, mas eu não tomo remédios
eu sou contra, eu não vejo os médicos
eu sei o que eles contam porque eu já fui diagnosticado
sou maluco, louco, doido, pronto pra ser internado

no ano da copa, me preocupo com eleição
não compro comida da civilização
nem tenho um escravo

eu não quero mais viver
se não for pra eleger
um modo novo de pensar
um melhor mundo pra viver

agora eu nem posso mais, viver por diversão
tão pouco por dinheiro, nem por satisfação

tem que ter objetivo, não quero vida nova
quero vida boa, qualquer coisinha à toa
que retrate meus desejos, meus sentimentos
os poucos, bons, e os maus momentos
se é que isso existe, porque tudo é transitório
do nascimento ao velório, do inferno ao purgatório
se é que eu terei a honra de ver como é
louco de verdade, não tem essa tal de fé
só se for em si mesmo, ou nos amigos do peito
ninguém pode me julgar, sou feliz do meu jeito
e não vou me vender, nem vou me alugar
nem ver as olimpíadas se tem conta pra pagar

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pranto explícito,


uns dizem que é a vida, outros dizem que é o acaso
uns creem em deus, outros acreditam no diabo
uns dizem que é sorte outros dizem que é azar
mas certas coisas nem eu tenho coragem de contestar

não foi nada divino, tão pouco maltrapilho
não foi nada profano, só foi um empecilho
por mais que eu confie na dor, na vida e na memória
hoje foi um dia que não merece fazer história
o sentimento atual, foi a falta de sentido
o desespero inesperado de um pranto corrompido
que talvez de alegria, salvando minha pretensão
de um presente de lamento, perdido por uma nação
que só precisava de uma conquista, para mostrar um sorriso
na salvação das derrotas para o povo do improviso
nós todos sofremos, da sarjeta a arquibancada
esperando um dia novo, uma nova alvorada
anunciando o futuro simples e vitorioso
que apesar de ser lúcido eu espero ansioso
e talvez por uma chance de um dia comemorar
o revés de um destino que hoje me fez chorar

e no segundo dia do mês de julho
eu temo em dizer, que talvez tenha orgulho
e saudade das conquistas que nunca quis comemorar
de um povo que tem gana, faz samba e sabe brilhar
mas que hoje foi vítima de uma grande fatalidade
que tirou de todos nós nossa maior felicidade