sábado, 30 de janeiro de 2010

Pesadelos utópicos:


-Eu já imaginei o retrato do paraíso, anjos dançando
animais correndo, toda babaquice burocrática divinamente disposta e sem imperfeições
talvez tenha sido um sonho lúcido, ou alguma bobeira que pensei a muito tempo
lá eu praticava uma modesta convivência harmônica e indolor, fiquei em paz
mas eu não era feliz.

Eu já imaginei a face da desgraça, aquela coisa de inferno
quente, clima horrível, gritaria, toda a patifaria da desordem enlouquecedora
sem perspectiva de cima, ou de baixo, um aglomerado de terra, praticamente infinito
lá encontrei algumas verdades, e falei algumas mentiras, sem o peso da culpa
mas eu não era feliz.

Eu já imaginei a paz mundial, sonhei que acordara, e era tudo colorido
sem preconceitos, sem luta, sem qualquer preocupação
sem fome, sem emprego ou trabalho, e toda a demagogia de um tédio sem fim
me assustei, até chorei em ver tudo tão certinho, em saber que todos eram felizes
mas eu não era feliz.

Eu já imaginei ter resolvido meus conflitos, meus sonhos e desejos
saber que toda minha preocupação e planos, podiam tirar umas ferias, bem longas
olhei para o céu, e podia voar, e tive a estranha sensação de euforia
jurava ser o homem mais feliz do mundo, só tinha medo de estar sonhando e acordar
mas eu não era feliz.

Eu já imaginei acordar em alguma cama, fingir não me preocupar
dizer e desdizer fatos inegáveis, verdades incorruptíveis, gritar
tinha um ar pensativo, e um quê de resposta quase perfeita
era fértil, com o mundo aos pés, e tão distante da realidade que me consome diariamente, tudo era conveniente ao meu comodismo
mas eu não era feliz.

Se alguma vez, sonhar de novo, imaginar, contemplar qualquer utopia desse tipo,
vou lutar contra meus instintos humanos de querer facilitar a vida
ou contrariar a morte, vou zombar de todos os meus desejos
dizer que felicidade é sonho que é formado de acordo como os moldes e limites da humanidade
pegar um papel, e jogar nele todas as minhas reclamações, modestamente distribuídas,
para esquecer que eu o escrevi, e finalmente poder gozar de uma triste realidade,
que é estar feliz.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Falsa modéstia.


Gosto de zombar dessa frouxa humanidade
que não contem suas ereções diante de pouca libertinagem
sempre vão tremer ao ver uma buceta
vão largar a carne e fazer bebê na proveta

meu discurso é franco e sempre é odiado
não quero estar contigo se não para dormir ao teu lado
posso trazer o inferno recheado com pecado
mas nunca vou te amar, esse é meu fardo

não quero que gostes de mim, nem quero saber sua opinião
quero te dar orgasmo com meus dedos enquanto escrevo com a outra mão
não quero estar certo, nem vender a verdade
quero apenas sexo, acompanhado de salacidade

por mais que eu tente, eu não tenho imaginação
só passa pela minha mente a bela imagem da fornicação
e eu descobri, que com isso não há nada de errado
fornicar é estar vivo, é estar eternamente apaixonado
estou sempre preparado, pois sei que todo mundo pensa nisso
não quero deixar ninguém magoado, mas fornicar é meu vicio
por algum motivo eu sempre estou preparado pra isso
fornicar é meu dever, e dar prazer é meu compromisso

mais onde será que eu vou parar, se só no meio de pernas consigo me encontrar
finalmente cheguei aqui, receber e dar prazer, é minha maior razão de existir
e sempre terei um lugar, onde me aconchegar, é no seu sexo, que vou habitar
e você vai implorar, pra sempre me ter, ou meter...
mas há outros corpos a encher, e é assim, e só assim que eu consigo sobreviver

de todas os litros de sêmen que eu desperdicei
a maioria foi na cara, de mulheres que não amei
não há nada mais bonito, que corpos suados,
ofegantes, deitados, cansados
o mundo nasceu de uma orgia, somos todos da mesma laia
não importa o que eu diga, eu só quero levantar sua saia
e todos os valores do mundo, não se comparam a orgasmos
tremedeiras, gemidos, espasmos
e todas as vaginas do mundo, eu espero encher
enquanto ouço o amor, lutando pra ser prazer
e a verdadeira felicidade, nunca vão encontrar
vocês tem medo de viver, de ser feliz, de fornicar
com a mesma promiscuidade que só uma dama sabe interpretar
deitada em minha cama, gemendo sem parar

o sexo é a vida, e minha vida foi em sua homenagem
escrita em versos, bebida e sacanagem
alguns escolhem existir, outros apenas observar
eu só posso admitir, que não a nada melhor que gozar
talvez escrever, enquanto é chupado
é certo que assim, eu fique inspirado
para depois retribuir, a gentileza prestada
não consigo desperdiçar, uma buceta molhada.

a profanação é meu esporte predileto
se houver uma vulva, me manterei ereto
enquanto no clitóris, te deixo no céu
troco tudo no mundo pra provar o seu mel

prometo apreciar o sexo com ousada demasia
seja ele inocente coito, ou deliciosa sodomia
me aconchegarei em cada seio que encontrar
e perfumes com cheiro de sexo vou inventar
e por toda eternidade, saciarei seus desejos
te bolinarei com minhas mãos e meus beijos
e se um dia morrer, morrerei extasiado
por ter fornicado, fornicado e fornicado.