sábado, 13 de março de 2010

Gelados prazeres,


o frio expande qualquer inspiração
congela qualquer sentimento sem emoção
causa uma dolorosa introspectividade
a todos que não sabem conviver com a verdade

acalma qualquer fúria incontrolável
deixa o coração dos homens mais instável
deixa as mulheres lindas e mais perfumadas
e as pessoas do mal dentro de suas casas
repele a dor da ferida mal curada
congela a flor, para que sempre seja lembrada
conforma a tristeza aprisionada no peito
ouve suas histórias, sem tirar proveito

o gelo preserva os sentimentos de bondade
tirando de tudo que é perfeito, sua data de validade
a gélida sensação de não ser pressionado
contra tudo aquilo que fica entalado
e toda calmaria de um deserto nevado
onde só haja a sensação do mal distanciado
e de toda energia que é sempre desperdiçada
para afastar o frio de uma mente renovada
enquanto se aproveita todo ar da madrugada
de uma noite no paraíso, por mais uma temporada

vossos olhos hão de se congelar
diante da beleza estonteante de presenciar
a noite no Éden de gelo eterno
localizado no outro lado do inferno
que nem caido, nem arcanjo podem penetrar
e não há limites para se entregar
onde não se prende a qualquer migalha
onde se trama a trama de sua própria mortalha
que de tão finita, chega a ser imortal
morto de mente pura, fugido do umbral

no gelo não há julgamento
nem tristeza na poesia
há frio na agua e no vento
mas no coração, não há agonia
é perfeito o castelo congelado
de onde todo mal foi arrancado

habitado por toda a eternidade
pela mente daqueles que amam a serenidade
do frio, em noite longa de tempestade
mais eterna que a própria humanidade
com felicidade que não se vai com a aurora
congelada por uma frieza que nunca vai embora
que é presente em um sentimento sem explicação
que aspira no mais profundo abismo de um coração
que não luta contra vertigem de se ver apaixonado
pela perfeita fantasia de gelo em que está aprisionado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário