sexta-feira, 4 de junho de 2010

Retrato do inimaginável,


eu grito, em meio a multidão
até que tudo some, e as respostas se vão
para tudo que descobri e acredito, sei que há um além
talvez o tempo sacrificado com as dúvidas
talvez a falta de ingenuidade na infância
o que me da o direito de ver o mundo assim?
como é fazer parte dele?
e se eu não estivesse aqui?

aspiro a conseqüências de um mal criado por mim
e de todas as lembranças que padecem, insolentes, incrédulas
o meu instinto de curiosidade, que me leva a burlar aspectos da natureza
nós somos incompreensíveis, incalculáveis, intangíveis, irracionais
dentro de toda normalidade do mundo humano, as respostas se fazem pequenas
são rudes e pouco determináveis, não despertam a minha atenção.

O tempo e os empecilhos da descoberta
tudo que lhe já foi tirado, e que já foi esquecido
será que dói lembrar disso tudo?
será que a memória, as lembranças, são o segredo da felicidade?
e a inércia do esquecimento, é uma força ativa, construtiva...
será que todos as regalias da juventude, são esquecidas na posterioridade?
e será que dói mais, não saber a resposta do que esquecer a pergunta?

tudo é confiável, toda essa gente que passa por aqui
todos com suas camisas de força, esquecidos
quanto ja foi destruído? quando ja foi sacrificado?
pela paz, pelo amor, por Deus, tudo em nome do horror.

E como será que aceitamos tudo isso?
essa interpretação esdrúxula, infiel
todo aquele que guarda contigo uma lembrança ruim
representamos a era da demência
a ruína moral, a ruína do mundo
aceitaremos os presentes, e o infortúnio da lembrança
vamos fazer uma festa, sem rima, sem ídolos
vamos comemorar, com a sensatez de uma criança
sem limites, até esquecer de tudo mais uma vez.
Até não estar em lugar nenhum...
Provando a dor, do lembrar ou do esquecer.

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